A emenda da reeleição sofreu novo atraso. Os debates que o governo pretendia iniciar hoje ficarão para terça-feira. Foi o quarto recuo do governo em menos de três semanas de convocação extraordinária do Congresso. O tempo foi pedido pelo líder do PMDB e candidato governista a presidente da Câmara, Michel Temer (SP). Ele garantiu que na próxima semana consegue pelo menos 50 votos no PMDB.
‘‘Iniciaremos as discussões na terça-feira e, se for preciso, vamos entrar noite adentro’’, disse o líder do governo na Câmara, Benito Gama (PFL-BA), logo depois da decisão tomada pelos partidos aliados, de adiar novamente os debates. Temer pediu tempo depois de participar de um encontro na casa do líder do PSDB, José Aníbal (SP), com a bancada tucana. O candidato a presidente da Câmara foi cobrado pelo PSDB e prometeu que conseguiria arrumar de 50 a 60 votos entre os parlamentares que o apóiam para a sucessão do presidente da Câmara.
A indefinição do PMDB causou revolta no líder do PFL, Inocêncio Oliveira (PE). ‘‘O PMDB está querendo demais e pode ficar sem nada’’, afirmou Inocêncio, referindo-se à luta do partido para assumir as presidências da Câmara e do Senado. Um pouco mais tarde - e depois de se encontrar com Michel Temer -, Inocêncio mudou o tom das críticas. Disse que era importante aguardar o PMDB, mas pregou o início dos debates ainda hoje. ‘‘Só precisamos de 52 parlamentares no plenário’’, disse.

‘‘O PMDB está
querendo demais
e pode ficar
sem nada’’


No início da noite Luís Eduardo Magalhães mandou avisar à Secretaria-Geral da Mesa que fizesse um comunicado aos deputados dispensando-os do ponto, que é batido com o aperto do botão de presença do painel eletrônico. Também disse que não haveria ordem do dia. Sem a ordem do dia não é possível iniciar os debates sobre nada. Até mesmo representantes de partidos aliados ficaram surpresos. ‘‘Como, não haverá mais o início da discussão?’’ perguntou o deputado José Múcio Monteiro (PFL-PE), que já foi nomeado secretário da Prefeitura em Recife e só não deixou o cargo porque antes quer votar a reeleição. Ele pretendia até fazer discurso.
Para os governistas, este foi o último adiamento dos debates sobre a reeleição. ‘‘Se continuar assim, vamos logo para o plebiscito’’, disse Inocêncio Oliveira. ‘‘Por mim nós já teríamos partido para o plebiscito e deixado a população resolver este problema.’’ Inocêncio afirmou que nem se importa com um possível desgaste que o plebiscito pode causar no Legislativo. ‘‘É ruim, mas não é o fim do mundo’’, disse ele.
A princípio, os líderes aliados ao governo tinham programado dar início aos debates sobre a reeleição no dia 8. Não foi possível. Adiaram para o dia 15. Também não houve condições. Decidiram iniciar os trabalhos hoje. De novo, tiveram de ceder ao PMDB. Agora, marcaram tudo para o dia 28, devendo entrar no dia 29.

mockup