PMDB paulista perde sete dos 14 deputados federais
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sábado, 13 de setembro de 1997
Christiane Samarco Agência Estado Brasília 
Quando o deputado Luiz Carlos Santos comemorar sua filiação ao PFL no dia 26, com toda a direção nacional do partido reunida num almoço festivo no Clube Nacional, em São Paulo, o governo terá um ministro a menos - ele deixará vaga a pasta dos Assuntos Políticos - e a bancada paulista do PMDB terá perdido sete dos 14 deputados federais que elegeu em 1994.
A saída de Santos deverá pôr um ponto final na revoada do PMDB no Estado em que dá sinais de percorrer a trilha da extinção: dos 14 vereadores do partido na capital, restam apenas quatro. Nas últimas eleições municipais, o PMDB não conseguiu emplacar nenhum prefeito na grande São Paulo. Como o ministro Santos, também estão de saída do partido o deputado Aloysio Nunes Ferreira e Ary Khara.
Nunes seguirá o deputado Alberto Goldman, que ingressou no PSDB na segunda-feira, depois de desistir de lutar contra o domínio do ex-governador Orestes Quércia, candidato peemedebista ao governo do Estado. Não dava para enfrentar uma disputa interna na convenção prevista para maio do ano que vem, no meio de um processo eleitoral, explicou Goldman. Isso sem contar que, no plano federal, um partido sem programa e sem identidade é simplesmente mortal para seus candidatos. Nunes só não deixou o partido no mesmo dia porque terá direito a uma comemoração particular, em São José do Rio Preto, antes do fim do mês.
Ary Khara já avisou aos amigos que vai para o PPB de Paulo Maluf. E dos sete parlamentares da bancada federal que ficam no partido, dois ameaçam desistir de um novo mandato: Hélio Rosas e Carlos Nelson. O quadro político em São Paulo ficará reduzido à disputa entre Maluf e o governador Mário Covas, prevê o ministro Santos, desconsiderando a presença de Quércia. Na eleição presidencial que o Quércia teimou em se candidatar, ele teve menos votos que o candidato do Prona, Enéas Carneiro, desdenhou o ministro.
Não é por acaso que Luiz Carlos Santos decidiu trocar de partido e entregar sua carta de demissão ao presidente Fernando Henrique Cardoso exatos sete dias antes de esgotado o prazo fatal de filiação para os candidatos às eleições gerais de 1998. O intervalo entre o almoço festivo com a cúpula do PFL e o dia 3 de outubro é estratégico, para que se cumpra o prazo legal de impugnação (cinco dias).
À medida que o PMDB paulista encolhe, o PFL engorda no Estado. Junto com Santos, ingressam no partido o presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Carlos Eduardo Moreira Ferreira, e o presidente da Força Sindical, Luiz Antônio Medeiros. Entro no PFL para fazer minha campanha de volta à Câmara e a da reeleição do presidente Fernando Henrique em São Paulo, resume Santos, convencido de que a candidatura do chefe tucano extrapola as fronteiras do PSDB.


