Curitiba - A executiva estadual do PMDB pagou uma dívida de R$ 171,7 mil do governador Roberto Requião, decorrente de ofensas morais ao hoje desembargador do Tribunal de Justiça (TJ), Sérgio Arenhart. A decisão foi tomada na semana passada, enquanto o governador estava em viagem ao exterior. Requião foi condenado pelo TJ a indenizar Arenhart por ter acusado o magistrado de ser favorável à candidatura de José Carlos Martinez ao governo do Estado em 1990. Na época, Arenhart ocupava o cargo de juiz do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e suspendeu a propaganda eleitoral de Requião por trazer ataques pessoais a Martinez.
A disputa judicial começou após Requião dar declarações ofensivas a Arenhart em jornais do Estado, chegando inclusive a entrar com uma representação contra Arenhart na Justiça e na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O magistrado retrucou protocolando uma ação por danos morais contra Requião na Justiça Estadual.
Arenhart obteve sucessivas vitórias na Justiça até que a 16 Vara Cível de Curitiba decidiu ordenar, no final do último mês de março, a execução de uma dívida total de R$ 1,57 milhão contra Requião. O valor referia-se à indenização pela ofensa e a uma multa de R$ 1,4 milhão pela recusa de Requião em publicar uma retratação nos jornais do Estado. Na semana passada, porém, os advogados do governador conseguiram suspender temporariamente na Justiça o pagamento de R$ 1,4 milhão, restando apenas o pagamento da indenização de R$ 171,7 mil a Arenhart.
Com todos os recursos para suspender a indenização esgotados, a executiva estadual do PMDB decidiu assumir o pagamento da dívida. Os advogados do PMDB alegaram que as ofensas a Arenhart foram proferidas ''no calor da disputa eleitoral'', e que o partido assumiria a indenização para honrar ''um dos maiores nomes da sigla no Estado''.
Requião ainda não está isento da possibilidade de pagar a multa de R$ 1,4 milhão, entretanto. A multa está sendo questionada pelos advogados do governador junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e Supremo Tribunal Federal (STF). Os advogados de Arenhart indicaram que irão entrar com uma ação pedindo o pagamento da multa no momento adequado, caso os recursos sejam rejeitados nos tribunais superiores.

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