O presidente nacional do PMDB e líder do partido no Senado, Jader Barbalho (PA), conseguiu apoio ontem para criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar denúncias contra o sistema financeiro nacional. Jader relacionou oito fatos que a CPI deverá apurar, todos já publicados pela imprensa, entre eles a operação de venda de dólares abaixo do preço de mercado para socorrer os bancos FonteCindan e Marka e o suposto vazamento de informações por ocasião da maxidesvalorização do real, em janeiro, que teria propiciado lucros ‘‘exorbitantes’’ a vários bancos.
Jader é o segundo aliado de peso do governo que em apenas cinco dias defende criação de CPI no Senado. Na quinta-feira, o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), conseguiu criar a CPI para investigar o Judiciário. Segundo Jader, o Senado é o foro adequado para investigar os ‘‘escândalos’’ envolvendo bancos, já que, constitucionalmente, tem atribuição de dispor sobre matéria financeira, cambial e monetária, instituições financeiras e suas operações.
Embora apenas 20 senadores tivessem assinado a CPI até às 19 horas, Jader já contava ontem com apoio suficiente para criar a CPI. São necessárias 27 assinaturas. Só o PMDB tem 26 senadores. O Bloco de Oposição (PT, PDT, PSB e PPS), que tem 14 senadores, aderiu imediatamente. E alguns senadores do PSDB, do PFL, do PPB e do PTB declararam apoio à proposta.
ACM conseguiu 54 assinaturas para a CPI do Judiciário. Apesar das dúvidas jurídicas sobre a competência do Senado de investigar o Judiciário, Jader determinou que a bancada assinasse o requerimento de ACM, em troca do apoio à CPI do sistema financeiro.
Único pefelista presente à sessão de ontem, Siqueira Campos (PFL-TO) declarou apoio à CPI dos bancos e disse que o Senado ‘‘ficará desmoralizado se as duas CPIs não forem instaladas’’. Para o tucano Lúcio Alcântara (PSDB-CE), ‘‘será difícil para os senadores que assinaram a CPI do Judiciário deixarem de assinar a CPI do sistema financeiro’’.

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