PMDB negocia manutenção de Calheiros
Partido aceita perder secretaria, desde que ministro da Justiça, ameaçado de ser substituído por jurista, continue no cargo
Arquivo FolhaMotivo Calheiros: queda-de-braço com FHC por causa da nomeação do diretor-geral da PF ainda pode repercutirGerson Camarotti
e Isabel Braga
Agência Estado
O PMDB aceita a idéia de perder a secretaria de Políticas Regionais na reforma ministerial que está sendo preparada pelo presidente Fernando Henrique desde que o ministro da Justiça, Renan Calheiros, seja mantido. Fernando Henrique estuda extinguir todas as secretarias de Estado, inclusive a pasta de Políticas Regionais, ocupada por Ovídio de Ângelis, afilhado político do senador Íris Rezende (PMDB-GO). Segundo um cacique peemedebista, o generoso gesto do partido em aceitar a saída de Ovídio do governo serviu como crédito do PMDB junto ao presidente Fernando Henrique.
Ontem, o discurso do partido era diferente do da semana passada. O PMDB está satisfeito com os ministros do partido que integram o governo, inclusive o secretário Ovídio de Ângelis, disse o líder do PMDB na Câmara, deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA). Mas reconheço que o poder de nomear ou demitir é exclusivamente do presidente Fernando Henrique, completou Geddel.
Sobre a situação de Renan, a ordem da cúpula peemedebista era neutralizar todos os boatos especulando a saída do ministro. Havia uma pressão dentro do governo para trocar Renan por um jurista. Mas essa possibilidade já era descartada ontem pelos principais caciques do PMDB. O curioso é que só agora, quando a pasta da Justiça começou a ter visibilidade, é que começaram a cobiçar o ministério do Renan, avaliou um influente peemedebista.
Também é certa a permanência do ministro dos Transportes, Eliseu Padilha. Ontem, antes de viajar para os Estados Unidos - onde ficará de férias durante julho - Padilha conversou com o presidente longamente pelo telefone, reforçando os acertos feitos no último sábado durante a visita ao Palácio da Alvorada. Ele manteve segredo sobre os acertos.
Mas enquanto o PMDB não faz esforço para manter a Secretaria de Políticas Regionais, Ovídio busca sua permanência. Preocupado com as notícias sobre sua frágil situação, o secretário começou cedo uma maratona de telefonemas para saber sua situação no governo. Além de conversar com o presidente do partido, senador Jader Barbalho (PMDB-PA), Ovídio foi ao Palácio do Planalto, no final da tarde, conversar com o chefe da Casa Civil, ministro Clóvis Carvalho.
Ovídio de Ângelis perde espaço no governo devido ao enfraquecimento político do senador Íris Rezende em Goiás, derrotado na eleição passada para o governo estadual. Da bancada original na Câmara, quatro deputados federais eleitos pela coligação de Íris já se mudaram para o PSDB. Assim, o PMDB não se sente obrigado em defender o espaço de Íris no governo federal.
No Palácio do Planalto a reforma ministerial ainda é mantida em segredo. O presidente já tem a reforma na cabeça, mas vai fazê-la sozinho, observou um assessor de Fernando Henrique. Já o porta-voz de FHC, Georges LamaziSre, negou que qualquer informação sobre a mudança no governo esteja saindo do Planalto. Tudo que tem sido atribuído ao Planalto é mera especulação, disse. Essas notícias não saíram daqui, garantiu. Se o presidente decidir, e quando decidir, ele mesmo irá anunciar, comentou LamaziSre, afirmando que não há previsão. Mas interlocutores do presidente garantem que FHC quer concluir a reforma o mais rápido possível.





