Curitiba- A assessoria jurídica da Coligação Paraná Forte (PMDB-PSC) negou ontem que tivesse a intenção de censurar a imprensa do Paraná ao pedir a quebra de sigilos telefônicos de jornalistas e tentar impedir a publicação de matéria com trechos de gravações telefônicas feitas pelo policial civil Délcio Augusto Rasera, preso acusado de chefiar quadrilha de grampos telefônicos ilegais. De acordo com o advogado Guilherme Gonçalves, operacional jurídico da campanha, especialista em direito eleitoral, a intenção do pedido de quebra de sigilo foi descobrir o responsável de dentro da Promotoria de Investigações Criminais (PIC) pelo vazamento das fitas com gravações telefônicas que estão sob segredo de Justiça.
''Os documentos estavam em sigilo administrativo e investigativo. Os cortes nas gravações e a divulgação delas foram feitos de maneira cirúrgica, com um bisturi, para dar a impressão de que Rasera trabalhava a serviço do governador Roberto Requião'', justificou Gonçalves.
Rasera é investigador da Polícia Civil e estava trabalhando para a Assessoria Governamental. ''Estão querendo comprovar com trechos telefônicos uma conexão que não existe com os chefes de Estado'', ponderou o advogado. A quebra do sigilo seria apenas telefônico e não de conteúdo. Gonçalves enfatizou que acredita que os promotores da PIC não vazaram as gravações. Mas sim, servidores do Ministério Público (MP) estadual. A tentativa de inibir a publicação de matéria na Folha de S. Paulo no último fim-de-semana teria sido ''uma prevenção para evitar que as notícias trouxessem dano irreparável para a campanha de Requião''. ''Estamos num momento de disputa acirrada'', confessa o advogado, se referindo a disputa polarizada entre Requião e o senador Osmar Dias (PDT).
Apesar do pedido de ''censura prévia'', algumas matérias foram publicadas livremente por conta da decisão do relator Munir Abagge, do TRE, que indeferiu o pedido de liminar e encaminhou os autos para o MP eleitoral. No domingo, a Folha de S. Paulo trouxe trechos de conversas telefônicas do policial civil Rasera confessando que trabalhava como um ''araponga'' dentro do Palácio Iguaçu. Outras conversas não reveladas envolveriam integrantes do alto escalão do governo Requião. A matéria mostrou ainda que Rasera fazia negociações com empresas para a compra de equipamentos para o Estado em nome de Requião.
Numa das conversas, Rasera diz a uma representante da Pctel (empresa que fabrica gravadores telefônicos para computador) que pode intermediar a aquisição de equipamentos para o governo. ''A minha participação no governo, eles me olham como um araponga, entendeu como é que é? Agora eu vou entrar no ramo do mercado, de vender merchandising para eles'', diz na gravação que foi transcrita e publicada na Folha de S. Paulo. Rasera usava um cartão de visitas de assessor da governadoria e teve quatro processos disciplinares que respondia na Corregedoria da Polícia Civil arquivados pessoalmente por Requião - que avocou para si a decisão dos autos.
''O caso de Rasera é policialesco, não tem a ver com o governo Requião, nem como problemas eleitorais. Este caso mereceria - no máximo - um quarto de página nos jornais'', afirmou Luiz Carlos Delazari, coordenador jurídico da Coligação Paraná Forte.

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