São Paulo - O Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), que participa da coalizão de governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, não integrará o ministério do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, por não ter chegado a um acordo com o Partido dos Trabalhadores (PT), informou o futuro ministro-chefe da Casa Civil e deputado reeleito, José Dirceu (PT-SP). ''De manhã conversei por telefone com o presidente do PMDB, Michel Temer, e comuniquei-lhe a decisão que o presidente eleito tomou ontem (anteontem) em relação ao governo: o ministério será anunciado na segunda-feira sem a participação do PMDB'', disse Dirceu em um rápido discurso. Segundo ele, apesar dos esforços comuns de chegar a uma proposta para apresentar à Lula e ao PT, um acordo não foi possível.
Sem o PMDB na base de apoio no Congresso e mantido o quadro atual de partidos que se comprometeram com a sustentação política ao novo governo, o presidente eleito terá de negociar uma a uma a aprovação de todas as propostas de interesse do Executivo. Juntos, os nove partidos que integram o governo PT, PTB, PL, PSB, PDT, PPS, PC do B, PV e PMN somam apenas 223 votos na Câmara, número insuficiente para a aprovar, por exemplo, um projeto de lei complementar, que exige o mínimo de 257 votos (a maioria mais um). Com os 74 deputados do PMDB, a base governista teria 297.
Com o time de deputados que terá, pelas contas de hoje, Lula precisará conquistar pelo menos mais 85 votos para atingir o quórum necessário para a apreciação de qualquer emenda constitucional, 308. Para conseguir votos no Congresso, não tem como fugir da habitual e tradicional prática política. A negociação no varejo, a cada votação, ocorre em torno dos interesses imediatos dos parlamentares: liberação de recursos de emendas ao Orçamento, nomeações para cargos federais, e atendimento a pleitos de setores diversos da sociedade.
Como o presidente eleito tem reforçado que pretende investir nas reformas tributária, previdenciária, política e trabalhista, terá de negociar muito antes de levar o projeto a votação. Era essa negociação que o presidente nacional do PT, deputado José Genoíno (SP), pretendia evitar. ''Temos de montar a base antes do início dos trabalhos no Congresso'', dizia o dirigente petista antes do encontro do futuro chefe da Casa Civil com o presidente nacional do PMDB.

mockup