'PMDB não tem programa', diz Jobim
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sexta-feira, 02 de março de 2007
Rodrigo Lopes<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Criar um programa nacional para o PMDB que possa levar o partido a lançar candidatura própria à Presidência da República em 2010. Esta é a principal proposta do ex-ministro da Justiça Nelson Jobim na disputa pela presidência nacional da legenda. No próximo dia 11, se não houver nenhum acordo entre os dois, Jobim enfrenta o deputado Michel Temer na eleição que vai definir o novo comandante do PMDB.
Em visita a Curitiba ontem, onde fez campanha junto a representantes do Estado com direito a voto na eleição, Jobim criticou a postura do partido nos últimos anos no cenário nacional. ''O PMDB é um partido arraigado regionalmente. Na última eleição para deputado federal, fizemos 13,5 milhões de votos no país todo. Essa votação espelha a força dos diretórios regionais, mas o partido não tem nada nacionalmente'', afirmou.
Segundo Jobim, a falta de representatividade do PMDB em nível nacional pode ser observado pelo fato de o partido não ter lançado candidato próprio à Presidência da República nos últimos anos. Isso se deve, principalmente, pela falta de um programa político claro. ''O partido não tem nenhuma posição sobre temas nacionais. Se você perguntar qual é o projeto nacional do PMDB, não existe nenhum. O que existem são aqueles adjetivos, como fazer a distribuição de renda, reduzir a taxa de juros, mas projeto substancioso não tem nenhum'', atacou Jobim.
Para o ex-ministro, isso faz com que a legenda não tenha unidade. ''Não existe unidade na perspectiva da individualidade. Existe unidade na perspectiva de um projeto que seja produzido na base do partido'', repetiu. Segundo Jobim, o problema da falta de um programa claro do PMDB começou após a aprovação da Constituição de 1988. ''O programa que tinha o MDB (legenda que deu origem ao PMDB), que era contra a ditadura e a favor da implantação da democracia, esgotou-se com a elaboração da Constituição de 1988. Terminada a Constituição, não fizemos mais nada. A partir daí, só houve uma disputa interna'', justificou.
Apesar de se dizer amigo de Michel Temer, que tenta se reeleger na presidência do PMDB, Jobim disse que o deputado apenas deu continuidade ao processo de perda de identidade do partido. ''Ele continuou aquilo que já havia, ou seja, em sua administração continuou sem programa.''
Para tentar colocar o PMDB em condições de ser protagonista no cenário político nacional, Nelson Jobim sugere a elaboração de um novo programa partidário, com propostas claras sobre temas relevantes. ''Não um adjetivo de enganação, mas posições específicas'', disse. De acordo com Jobim, as propostas seriam testadas nas eleições municipais de 2008, abrindo espaço para que o PMDB lance candidato próprio à Presidência em 2010.
Apesar disso, o ex-ministro não quis falar em nomes de ''presidenciáveis''. ''Se começarmos a identificar candidatos desde logo, voltamos ao sistema da opção por candidatos e não por programas. Precisamos produzir um programa que nos leve à unidade e essa unidade seguramente irá produzir candidatos para 2010'', explicou.


