O presidente do PMDB e líder no Senado, Jáder Barbalho (PMDB-PA), descartou ontem qualquer possibilidade de o partido atuar como mediador no conflito entre o governador de Minas Gerais, Itamar Franco, e o governo federal. Segundo ele, as duas partes têm que ter bom senso e procurar solucionar as dificuldades pelo diálogo.
Caso contrário, o senador previu que o prejuízo pela intransigência vai prejudicar o Estado de Minas Gerais. O líder garantiu que é essa a sua preocupação e não a de solucionar as divergências pessoais que possam existir entre Itamar e o presidente Fernando Henrique Cardoso.
‘‘Não estamos aí para examinar certas dificuldades pessoais’’, disse. ‘‘Estamos procurando, sim, é colaborar para resolver dificuldades de natureza política e administrativa.’’ Para Barbalho, restará o impasse, se não houver o diálogo entre o governador e o presidente. ‘‘Só o diálogo será capaz de superar essa dificuldades’’, insistiu.
Barbalho lembrou que a sua posição se ajusta ao empenho do partido em se aliar ‘‘incondicionalmente aos interesses do País’’. À pergunta sobre o comportamento que terá daqui para frente com Itamar, Jáder Barbalho disse que não se trata de ter ou não paciência no trato dessa questão. ‘‘Não sou obrigado a ter paciência com pessoas’’, defendeu. ‘‘O que desejo é agir em função do interesse público’’, afirmou o senador.
O presidente do PMDB disse que não vê sentido em reunir a bancada de senadores para ouvir do governador Itamar Franco os motivos que o levaram a decretar a moratória de dívidas com a União no Estado de Minas Gerais, enquanto permanecer o impasse entre ele e o governo federal. A decisão mostra que Barbalho reviu a posição que adotou em janeiro, quando foi consultado sobre o assunto pelo senador José Alencar (PMDB-MG). Na época, o senador declarou em entrevista que ‘‘seria uma honra’’ atender a um pedido de Itamar. Ainda assim, o governador procurou adotar uma posição de vítima, ao anunciar, também em entrevista, que o seu pedido havia sido rejeitado por Barbalho.
‘‘Eu prefiro insistir que o único caminho para solução dessa dificuldade é o diálogo entre o governador de Minas Gerais Itamar Franco e o presidente da República Fernando Henrique Cardoso’’, reiterou. Segundo ele, qualquer outro caminho, ‘‘por mais que sejam respeitáveis as pessoas envolvidas’’, não resolverá os problemas de Minas Gerais.

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