PMDB não pretende investigar caso Jader
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sábado, 18 de agosto de 2001
Uilson Paiva<BR>Agência Estado. 
A exemplo do que ocorreu durante o caso do ex-senador Luiz Estevão (DF), o PMDB não abriu nenhuma investigação interna sobre as irregularidades envolvendo o senador Jader Barbalho (PA). Oficialmente, o discurso do partido é de que espera pelas conclusões das investigações sobre o parlamentar para, então, se posicionar. Por esse raciocínio, somente se for considerado culpado por alguma acusação no âmbito da Justiça ou do Conselho de Ética do Senado é que o senador terá punição partidária.
Se a regra fosse verdadeira, porém, o partido não ostentaria até hoje em seu diretório regional do Distrito Federal o nome de Luiz Estevão. Com o mandato cassado pelo Senado em junho de 2000, acusado de envolvimento no desvio de R$ 196,7 milhões da obra do Fórum Trabalhista em São Paulo, o ex-senador segue exibindo orgulhosamente a carteirinha do PMDB. Estevão diz que a legenda não o expulsou porque não quis ''cometer o mesmo erro praticado pelo Senado''.
Informada da situação do ex-senador, a cúpula do partido reagiu com surpresa. ''Isso é novidade para mim'', disse o deputado federal Michel Temer (SP), candidato à presidência do partido. Solicitado a avaliar a situação de Estevão, ele cogitou levar o caso ao Conselho de Ética do partido.
O secretário-geral do PMDB, deputado Saraiva Felipe (MG), também disse ter sido informado sobre o assunto pela reportagem. ''Ele está no partido ainda, é? Sabe que eu não tinha pensado nisso? Mas admito que é uma omissão muito grande nossa.''
O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), tentou justificar a manutenção de Estevão nos quadros da legenda. ''Ele foi tornado inelegível e isso já significa o fim de sua atividade partidária''.
Reação semelhante teve o próprio Jader, no ano passado, quando solicitado a opinar sobre a situação partidária de Luiz Estevão, depois da cassação. Segundo ele, o partido não deveria tomar nenhuma medida interna ''porque quem não tem direito político, não tem direito partidário''.
Sobre o caso de Jader, a avaliação de Temer e Calheiros é de que o PMDB não pode prejulgar ninguém. Já o secretário-geral manifestou posição divergente: ''Não acho que o partido deva tomar posição sobre o caso Jader, nem transformar a situação do senador em problema partidário'', resumiu Saraiva Felipe. (Colaborou Alexandre Rocha)


