PMDB não admite aliança Lula/Requião
A ala governista do PMDB quer evitar que o candidato do partido ao governo do Paraná, senador Roberto Requião (PR), suba no palanque do candidato da frente de esquerda à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os governistas trabalham para tomar a presidência de Paes de Andrade (CE) na próxima semana e garantem que, aprovado o apoio ao projeto da reeleição em convenção nacional, os dissidentes serão enquadrados.
A disposição dos aliados do Palácio do Planalto é a de manter todos os palanques estaduais vinculados à decisão nacional que, apostam, será de apoio à recandidatura do presidente Fernando Henrique Cardoso. Os palanques têm de estar afinados, defende o líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA). A fidelidade partidária durante a campanha eleitoral só será oficialmente debatida em reunião dos dirigentes do partido depois da convenção de 28 de junho, mas o líder Geddel avisa: Não permitiremos que Requião ou outro qualquer se transforme em agente do enfraquecimento do PMDB.
Para evitar problemas de infidelidade depois da convenção nacional, o comando governista do PMDB investe tudo na composição entre os aliados em cada Estado. Na Paraíba, onde o governador José Maranhão (PMDB) está em guerra contra o senador Ronaldo Cunha Lima (PMDB) pelo controle da legenda e a indicação para concorrer ao governo na chapa do partido, já está tudo resolvido. Os aliados do Planalto já comemoram a garantia de que, qualquer que seja o vencedor, o palanque paraibano será de Fernando Henrique.
Em Minas Gerais, onde o deputado Newton Cardoso e o ex-presidente Itamar Franco têm pretensões de concorrer ao governo, o acerto também está próximo. A cúpula governista do partido não quer interferir na política local, até porque estão certos de que Newton Cardoso e Itamar vão acabar se compondo. No caso de o ex-presidente sair candidato, o acerto é para que Itamar centre suas críticas na equipe econômica e poupe o candidato Fernando Henrique. Em troca, ele ganha a neutralidade do Palácio do Planalto na disputa com o governador tucano Eduardo Azeredo (MG).
Onde o entendimento for impossível, como parece ser o caso do Paraná do senador Roberto Requião, a cúpula governista do partido quer fazer valer o Estatudo do Programa e do Código de Ética do PMDB e a lei eleitoral. O artigo 9º do estatuto diz que um dos deveres dos filiados é o de respeitar as decisões partidárias pela escolha de candidatos nos diferentes âmbitos. Quem apoiar candidato diverso do adotado pelo órgão partidário fica sujeito a medidas disciplinares que vão da advertência ao cancelamento do registro da candidatura, passando pela expulsão.
Mas, para enquadrar os dissidentes, os governistas estão mesmo de olho no capítulo da lei eleitoral que trata da propaganda gratuita no rádio e na tevê. O artigo 54 veta a participação de filiados a outros partidos nos programas de cada legenda. Os governistas estão convencidos de que poderão impedir a campanha em favor de Lula no palanque eletrônico do PMDB porque a lei eleitoral também diz que a participação nos programas será em apoio aos candidatos do partido ou da coligação. E adiantam que, se alguém sair da linha, a nova direção do PMDB vai tirar o programa do ar.Arquivo FolhaAlvoRequião: senador declarou apoio à candidatura de Lula e está na mira dos governistas do PMDBAgência Estado





