O PMDB decidiu desafiar o governo do Estado e indicou o nome do deputado Luiz Cláudio Romanelli para a composição da nova mesa executiva na Assembléia Legislativa. O nome de Romanelli havia sido vetado pelo Palácio Iguaçu por ser um dos principais articuladores da oposição dentro do Legislativo. Mas o veto não foi aceito pelo presidente da Assembléia, deputado Aníbal Khury (PTB), o que garantiu a indicação de Romanelli para o cargo de terceiro vice-presidente.
Khury telefonou ontem ao governador Jaime Lerner, que estava em Londres (Inglaterra), para deixar claro que a eleição da mesa é um assunto interno da Assembléia e que o único porta-voz do governo reconhecido pelos deputados para participar das negociações é Valdir Rossoni (PDT), atual líder do governo. Além de Romanelli, o Palácio Iguaçu havia vetado o nome de Antonio Anibelli (PSDB) para a composição.
‘‘Oferecemos a terceira vice para o PMDB, a terceira secretaria para o PSDB e a quinta secretaria para o PT. As bancadas têm liberdade para indicar quem quiser, sem vetos ou restrições’’, garantiu Khury. Com o sinal verde do presidente da Assembléia, o PMDB decidiu manter a indicação de Romanelli, que já admitia abrir mão do cargo em favor de Nereu Moura.
A bancada do PT reuniu-se na tarde de ontem, mas não fechou questão sobre a quinta secretaria. Os cinco deputados petistas querem participar da direção da Assembléia, mas acham que podem negociar o cargo com os demais partidos. O PT questiona o fato do PFL ter o mesmo número de deputados e ocupar a segunda secretaria, cargo de maior importância e que controla toda a frota de veículos da Assembléia.
Os deputados do PT saíram da reunião com a tarefa de tentar articular até às 14h30 de hoje uma nova composição. Caso não tenham êxito, os petistas devem aceitar a quinta secretaria e indicar o deputado Ângelo Vanhoni para o cargo.
PMDB e PT aceitam a composição, mas têm uma reclamação em comum. Os cargos de terceiro vice-presidente e quinto secretário não têm função definida. Eles foram criados no ano passado para garantir o apoio de todos os partidos à emenda constitucional que permite a reeleição de Khury para a presidência da Assembléia.
A principal resistência em aceitar a proposta de composição feita por Khury é do PSDB. Terceira maior bancada na Assembléia, o partido quer mais do que a terceira secretaria. ‘‘O PPB tem sete deputados e ocupa a segunda vice e a quarta secretaria. O PFL tem a segunda secretaria com apenas cinco parlamentares. Por que o PSDB, com nove deputados, tem que ficar com um cargo de menor expressão?’’, questiona o líder dos tucanos, César Silvestri.
Na última eleição interna da Assembléia, há dois anos, o PSDB conquistou a terceira secretaria com uma bancada de apenas três parlamentares. O cargo é ocupado hoje por Edgar Bueno, que mudou-se para o PDT e prepara-se para assumir a função de vice-líder do governo. Agora que triplicou a bancada, o PSDB que um cargo com maior prestígio. A segunda secretaria é a mais cobiçada, mas o PFL não abre mão de Nelson Garcia no cargo.
A Assembléia Legislativa reelege hoje o deputado Aníbal Khury (PTB) para a presidência da Casa. A eleição está marcada para as 15 horas e o voto será secreto. Caso consiga fechar a negociação com todos os partidos antes da sessão, Khury marca nova eleição em seguida para a escolha dos outros oito membros da mesa executiva. Se não houver consenso, a eleição dos demais cargos acontece apenas amanhã, podendo haver disputa individual em cada caso.

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