O PMDB do Paraná oficializou ontem o lançamento da candidatura do senador Roberto Requião ao governo do Estado. Num palanque improvisado e com um discurso acalorado, o senador - que ainda não abre o jogo sobre seus planos políticos - falou para cerca de 200 pessoas como candidato. Leu o manifesto ‘‘Jogo limpo Paranᒒ, uma crítica à administração estadual e voltou a ‘atirar’ contra o governador Jaime Lerner (PDT), o seu maior adversário nas eleições do ano que vem, acusando-o de adotar uma ‘‘política suicida’’ na condução do governo.
O lançamento foi ‘patrocinado’ pela bancada estadual e pelo diretório regional do PMDB, que assumem a manutenção (cerca de R$ 2 mil ao mês) e a paternidade do ‘‘escritório político’’ - uma espécie de comitê eleitoral de campanha - inaugurado ontem em Curitiba. ‘‘Não é um comitê, e por enquanto não admito que sou candidato ao governo’’, insiste o senador ao dizer que ‘‘o momento é de fazer críticas e apresentar sugestões que vão embasar a plataforma do PMDB’’.
O senador é reticente quanto às alianças que o partido pode fazer na disputa. Não descartou a aproximação com setores do PDT, que estariam se desgarrando do governador, nem confirmou o namoro com o PSDB. Pelo contrário, foi ácido ao avaliar as declarações do presidente da Telepar, ex-governador Álvaro Dias, que defende a realização de pesquisas para avaliar a melhor candidatura. ‘‘Se pesquisa resolvesse o problema, o Álvaro (Dias) seria o governador do Paranᒒ, disse.
Bem menos comedidos que o senador, os deputados admitiram o lançamento e distribuíram os adesivos ‘‘Requião, conte comigo!’’. ‘‘O Requião é o nosso candidato ao governo em 98 e estamos abertos a alianças’’, sinalizava ontem Renato Adur. O líder da bancada peemedebista na Assembléia, Orlando Pessuti, reforça o discurso de Adur e diz que ‘‘o partido se prepara para o retorno de Requião ao Palácio Iguaçu’’. ‘‘Continuaremos o ciclo de 12 anos interrompido na última eleição’’, garantiu.
No discurso que durou cerca de 15 minutos, Requião criticou a política de incentivo fiscal adotada por Lerner na atração de multinacionais para o Estado. ‘‘Os incentivos devem ser dados, mas de forma igualitária para todas as empresas. As vantagens devem ser estendidas aos paranaenses’’, sugere. Requião disse que o governo faz muito mistério dos termos contratuais firmados com as montadoras. ‘‘Isso cheira a maracutaia’’, provoca.
Para o senador, o bloqueio dos empréstimos Comissão de Assuntos Econômicos só será revisto quando o governo do Estado encaminhar cópias dos contratos, o balanço financeiro de 96 e o balancete de maio deste ano.

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