PMDB ironiza uso de coração
Arquivo FolhaSENTIMENTOLerner durante campanha de 98, com o símbolo-alvo de ataque do PMDB, que ironiza: ‘‘Meu coração tá arrependido’’O PMDB iniciou anteontem, em rede estadual de rádio e tevê, campanha para arranhar a marca registrada do grupo político do governador Jaime Lerner (PFL). A campanha ‘‘Meu coração tá arrependido’’ é um ataque ao mote ‘‘coração curitibano’’ explorado pelo governador e pelos seus sucessores na Prefeitura de Curitiba: o hoje ministro Rafael Greca (PFL) e o atual prefeito Cassio Taniguchi (PFL).
A campanha faz parte de uma política de abertura do PMDB àqueles que participaram da campanha de Lerner e que hoje não confiam mais na administração do governador. O PMDB garante que a idéia do ‘‘Meu coração tá arrependido’’ nasceu dentre os ex-aliados do Palácio Iguaçu. Sem revelar nomes, o partido do senador Roberto Requião promete escancarar os novos aliados, nos próximos dias.
Marcelo Almeida, filho do empreiteiro Cecílio do Rêgo Almeida, é um dos envolvidos na campanha, apesar de agir com cautela. O ex-vereador de Curitiba já figurou como aliado de primeira hora de Lerner. O pai é o maior credor do governo, com um precatório de R$ 2,5 bilhões.
Uma moça de camiseta com um coração de ‘‘cara triste’’, procurando ‘‘um partido de verdade’’ (no caso o PMDB). É com esse apelo que o PMDB pretende atrair descontentes com o governo Lerner. Além do comercial que está no ar, a direção estadual do PMDB decidiu produzir camisetas e adesivos com o mesmo mote. Em Curitiba, o material já começou a ser distribuído por militantes.
Eterno coordenador das campanhas do grupo político de Lerner, chefe de Gabinete do Governador, Gerson Guelmann, disse ontem que o PMDB está perdendo tempo em tentar jogar os eleitores contra uma marca que já virou tradição de campanha. ‘‘O coração curitibano foi criado para a campanha de 85, do Lerner contra o Requião, pelo publicitário (que já morreu) Sérgio Mercer’’, relembra. ‘‘Na campanha de 88, quando Lerner venceu a Prefeitura de Curitiba, o coração curitibano estava lá. Na do Greca a mesma coisa e na do Cassio também. Neste caso, o mote foi: é cabeça, é coração’’, emendou. (L.D.)

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