PMDB instala crise entre os aliados
O lançamento do projeto PMDB/2002 apresentado pelo novo presidente da legenda, senador Jader Barbalho (PA), acabou criando um mal-estar nos demais partidos da base aliada. O anúncio oficial, que aconteceu na última terça-feira, durante a convenção do PMDB, mostra um projeto ambicioso. Prevê candidatura própria para a sucessão de Fernando Henrique, se FHC for reeleito, além de sair das urnas como o maior partido do País. O PMDB também deflagrou a briga por cargos no próximo governo. Foi o próprio presidente quem declarou que o espaço político do segundo governo sairá das urnas, lembrou Jader.
A declaração foi o estopim da crise entre os aliados de FHC, e o começo de uma disputa por espaço no próximo governo. O inferno astral de FHC começa a partir de primeiro de janeiro, analisou um interlocutor do presidente, lembrando dos problemas que FHC terá que enfrentar para equacionar a briga pelo poder. FHC terá que ser o grande juiz disso, avaliou o líder do PSDB na Câmara, deputado Aécio Neves (MG).
Ao saber das declarações de Jader, o presidente do PSDB, senador Teotônio Vilela Filho (AL), tentou minimizar. É importante que os nossos aliados sintam confiança no futuro, disse. Por isso, não entramos nessa briga. Queremos uma bonita vitória de FHC nessas eleições, avisou. Mas o esforço de Teotônio em esconder o desconforto no ninho tucano de nada adiantou. Bicos mais afiados não tiveram o menor cuidado. O PMDB precisa primeiro ajudar na vitória do presidente, atacou Aécio Neves (MG). Se alguém está pensando em cargos e espaço político faltando duas semanas para a eleição, é bom lembrar que essa não é a hora, alfinetou.
Não é à-toa que o PSDB foi o partido que mais reagiu à iniciativa do PMDB. No projeto, o PMDB quer voltar a ser a grande legenda de centro-esquerda do País, ocupando o espaço que hoje é dos tucanos. Até o discurso da terceira-via já surgiu, através do ministro dos Transportes, Eliseu Padilha - um dos responsáveis pela reunificação do PMDB.
Não é só isso. Os peemedebistas esperam crescer em cima do PSDB. Anunciam que vão fazer o maior número de governadores, senadores, deputados estaduais e pelo menos 100 federais. Vários desses governadores, o PMDB espera fazer em disputa com o PSDB. É o caso do Pará, onde Jader enfrenta o governador tucano Almir Gabriel, e em Minas, onde Itamar Franco espera tirar o governo de Eduardo Azeredo.
Se bobear, o Brasil terá 40 governadores e 1.000 deputados federais, ironizou Aécio Neves, referindo-se aos cálculos dos peemedebistas. O PSDB hoje evita fazer previsões públicas, mas também contabiliza fazer 100 deputados e governadores em oito estados. Eles (PMDB) podem ganhar as eleições. Depois pensaremos em 2002, falou Teotônio, amenizando mais uma vez as declarações do seu correligionário.
Mas não foi só entre os tucanos que o projeto PMDB/2002 foi mal recebido. O ano 2002 está muito longe, analisou o líder do PTB na Câmara, deputado Paulo Heslander (MG). O que o PMDB está falando é só figura de retórica de quem faz convenção, disse o petebista, se referindo a Jader. Afinal, ninguém sabe o que vai acontecer nos próximos dois meses, muito menos nos próximos quatro anos.Arquivo FolhaFogoBarbalho (ao lado de Temer): estopim aceso no barril de pólvora do ninho dos tucanosGérson Camarotti
Agência Estado





