PMDB indica Barbalho para a comissão de reeleição de FHC
Arquivo FolhaJáder Barbalho é quem defenderá interesses do PMDB junto ao governoO líder peemedebista no Senado, Jáder Barbalho (PA), será o homem do PMDB no comando nacional da campanha da reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso. Numa demonstração de força no Conselho Político do partido, a cúpula governista criou ontem, por 36 votos contra três, a comissão que vai fazer a interlocução oficial com o governo e negociar os interesses do PMDB no comitê eleitoral de Fernando Henrique.
Participam do colegiado presidido por Barbalho o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e o líder da bancada federal na Casa, Geddel Vieira Lima (BA). O presidente nacional do PMDB e líder da ala rebelde do partido (que não concorda com o apoio à reeleição de Fernando Henrique), deputado Paes de Andrade (CE), continua no posto por força de uma liminar da Justiça que impediu o Conselho Político de cancelar a prorrogação do mandato de toda a direção nacional, destituindo-o do comando partidário. Ontem, porém, ele teve de engolir a criação de um comando paralelo.
Não foi uma vitória fácil nem tampouco os aliados do Planalto conseguiram liquidar os rebeldes a ponto de evitar problemas para Fernando Henrique na convenção nacional de junho, que a lei eleitoral manda realizar para lançar candidatos e oficializar coligações. A maioria folgada dos governistas no conselho não foi suficiente para impedir as quatro horas de briga com os rebeldes, que ainda insistem na candidatura própria do partido ao Palácio do Planalto.
Não me exonerei das minhas convicções e tenho a esperança de que meu partido apresente um candidato na convenção de junho, pois o ex-presidente Itamar Franco já reafirmou sua disposição de se candidatar ao Planalto, disse Andrade, ao pôr em votação o requerimento que criou a comissão. Vamos lançar candidato à Presidência da República na Convenção, protestou o senador Roberto Requião (PMDB-PR), ele próprio um dos pré-candidatos do partido, ao lado de Itamar e do ex-presidente e senador José Sarney (PMDB-AP).
Requião promete recorrer à Justiça contra a comissão que, ao ver dele, não poderia ter sido criada até porque o estatuto do partido não confere ao Conselho Político poderes para tal. Não vamos aceitar que os destinos do PMDB sejam decididos por ministros e governadores sem recursos para administrar seus Estados, insistiu, referindo-se ao voto favorável dos ministros e governadores do PMDB à comissão que vai tratar de reeleger Fernando Henrique.
Os governistas responderam à provocação. Vamos tratar da eleição e deixar Paes nas funções que vem exercendo, ou seja, nenhuma, debochou Lima. Não tem isso de poder paralelo e não há golpe pelo voto, emendou Barbalho, ao afirmar que, a partir de agora, é ele quem tem o poder para a tarefa de interlocução com o governo e defesa dos interesses do PMDB na aliança com Fernando Henrique. A conversa com o Planalto começou ontem mesmo, com um telefonema de Barbalho ao presidente para lhe contar da vitória no conselho.
Mas, no PMDB, não dá para comemorar nada porque os resultados são sempre questionados, alertou o autor do requerimento em favor da comisão, Jarbas Vasconcelos, que vai disputar o governo de Pernambuco pelo partido. Vamos ter aborrecimento até a convenção de junho, afirmou. (AE)





