PMDB governista recusa indicação de ex-presidente
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 27 de agosto de 1998
Rosa Costa Agência Estado 
A iniciativa do presidente do PMDB, deputado Paes de Andrade (CE), de lançar o nome do senador José Sarney (PMDB-AP) como candidato de consenso para sucedê-lo no comando do partido tem poucas chances de ser concretizada. O senador Ronaldo Cunha Lima (PMDB-PB) diz que a maioria dos filiados - incluindo ele mesmo - assumiu compromisso com o senador Jáder Barbalho (PMDB-PA), candidato da chapa governista à sucessão de Paes de Andrade.
Outro empecilho, segundo o deputado Carlos Apolinário (PMDB-SP), é a manifestada disposição de Sarney de ser indicado de forma consensual, sem ter que pedir o voto dos colegas. Ele não pode esperar o PMDB na bandeja, alegou Apolinário. Ulysses Guimarães desapareceu há um bom tempo e não surgiu ninguém para o seu lugar.
Sarney está em Macapá e não foi encontrado para falar sobre o assunto. Lima disse ter conversado com ele na terça-feira e que Sarney lhe disse estar à disposição do partido, se for convocado consensualmente, mas que hoje o seu compromisso é o de apoiar a indicação de Jáder Barbalho para a presidência. Conversei com Sarney e ele não se dispõe a disputar o cargo, afirmou. A questão será decidida na convenção nacional que Paes de Andrade deve convocar dia 6 de setembro.
Outras restrições ao nome de Sarney foram feitas pelo governador de Goiás, Maguito Vilela, vice de Barbalho na chapa à presidência do partido. Segundo ele, Sarney,que é um grande nome, um grande estadista, teve mas não aproveitou a oportunidade de ser mais peemedebista, atraindo inclusive seus filhos para o partido. Para Maguito, seria difícil para ele explicar por que defende o fortalecimento e a união do PMDB, mas compactua com a filiação de seus filhos - a governadora do Maranhão, Roseana Sarney, e o deputado Sarney Filho ao PFL.
O partido que vai eleger a maioria dos governadores e das bancadas, tem que ter transparência, disse. Para Maguito, candidato ao Senado, o ideal é eleger a chapa que o grupo majoritário está articulando. Tem Barbalho na cabeça, mas se ele for eleito governador do Pará será obrigado a deixar a presidência. Seria então substituído por Maguito, homem de confiança do senador Íris Rezende (PMDB-GO), candidato ao governo.


