O comando rebelde do PMDB manteve ontem a disposição de negar quórum para a votação da emenda da reeleição, até que se resolva a sucessão nas presidências da Câmara e do Senado. Apesar de o PFL ter anunciado a votação, no plenário da Câmara, para a próxima semana, o líder do PMDB no Senado, Jáder Barbalho (PA), avisou ao presidente Fernando Henrique Cardoso que essa hipótese está descartada. O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), também duvida que o governo consiga seu intento.
Jáder conversou com o presidente no Palácio da Alvorada até a madrugada de quarta-feira e viajou ontem para Belém, deixando um rastro de desconfianças em Brasília. Antes de viajar, no entanto, ele relatou a conversa aos senadores Ronaldo Cunha Lima (PMDB-PB) e Íris Rezende (PMDB-GO), candidato do partido à presidência do Senado.
De acordo com o relato do líder, a única proposta feita pelo presidente da República na conversa da madrugada foi um apelo para que o PMDB permitisse pelo menos a votação da emenda, em primeiro turno, na Câmara, durante a convocação extraordinária. ‘‘Disse a ele que isso era impossível’’, contou Jáder. ‘‘Expliquei que, além da convenção partidária, havia decisões isoladas de algumas bancadas, que não se pode reverter.’’


Sarney duvida
que o governo
consiga pôr a
emenda em votação


As bancadas na Câmara do PMDB do Pará, de Goiás, da Paraíba, do Maranhão e de Mato Grosso, fiéis aos senadores do partido, têm o compromisso de acatar a convenção e não votar a emenda em janeiro. O governo trabalha para, pelo menos, conseguir o quórum mínimo. ‘‘Se o plenário estiver cheio e a votação for iniciada até os rebeldes votarão conosco’’, disse um dos líderes governistas. ‘‘O governo diz isso para criar um ambiente favorável, mas sabe que não tem’’, reagiu Íris Rezende.
Tanto Íris quanto Cunha Lima interpretaram a conversa do Alvorada como um gesto do governo para se reaproximar do PMDB, depois do desgastante encontro com líderes do partido no Palácio do Planalto, segunda-feira. Na mesma linha foi interpretada a visita feita pelo vice-presidente Marco Maciel (PFL) ao senador José Sarney, na noite de quarta-feira. Sarney sentiu-se ofendido com o tratamento dispensado por Fernando Henrique a ele, invocando sua condição de presidente do Congresso.
O que ainda anima os peemedebistas é que a bancada do PSDB no Senado ainda não declarou apoio oficial a Antônio Carlos Magalhães, como estava planejado. Reunidos na quarta-feira à noite, os 13 senadores tucanos adiaram mais uma vez a definição. ‘‘Vamos escolher um candidato, preferencialmente numa decisão em bloco, mas só o faremos no momento oportuno’’, disse o presidente do PSDB, senador Teotônio Vilela (AL). ‘‘É uma declaração prudente’’, avaliou Cunha Lima.

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