PMDB garante negar quórum à votação
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sexta-feira, 17 de janeiro de 1997
Agência Estado De Brasília 
O comando rebelde do PMDB manteve ontem a disposição de negar quórum para a votação da emenda da reeleição, até que se resolva a sucessão nas presidências da Câmara e do Senado. Apesar de o PFL ter anunciado a votação, no plenário da Câmara, para a próxima semana, o líder do PMDB no Senado, Jáder Barbalho (PA), avisou ao presidente Fernando Henrique Cardoso que essa hipótese está descartada. O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), também duvida que o governo consiga seu intento.
Jáder conversou com o presidente no Palácio da Alvorada até a madrugada de quarta-feira e viajou ontem para Belém, deixando um rastro de desconfianças em Brasília. Antes de viajar, no entanto, ele relatou a conversa aos senadores Ronaldo Cunha Lima (PMDB-PB) e Íris Rezende (PMDB-GO), candidato do partido à presidência do Senado.
De acordo com o relato do líder, a única proposta feita pelo presidente da República na conversa da madrugada foi um apelo para que o PMDB permitisse pelo menos a votação da emenda, em primeiro turno, na Câmara, durante a convocação extraordinária. Disse a ele que isso era impossível, contou Jáder. Expliquei que, além da convenção partidária, havia decisões isoladas de algumas bancadas, que não se pode reverter.
Sarney duvida
que o governo
consiga pôr a
emenda em votação
As bancadas na Câmara do PMDB do Pará, de Goiás, da Paraíba, do Maranhão e de Mato Grosso, fiéis aos senadores do partido, têm o compromisso de acatar a convenção e não votar a emenda em janeiro. O governo trabalha para, pelo menos, conseguir o quórum mínimo. Se o plenário estiver cheio e a votação for iniciada até os rebeldes votarão conosco, disse um dos líderes governistas. O governo diz isso para criar um ambiente favorável, mas sabe que não tem, reagiu Íris Rezende.
Tanto Íris quanto Cunha Lima interpretaram a conversa do Alvorada como um gesto do governo para se reaproximar do PMDB, depois do desgastante encontro com líderes do partido no Palácio do Planalto, segunda-feira. Na mesma linha foi interpretada a visita feita pelo vice-presidente Marco Maciel (PFL) ao senador José Sarney, na noite de quarta-feira. Sarney sentiu-se ofendido com o tratamento dispensado por Fernando Henrique a ele, invocando sua condição de presidente do Congresso.
O que ainda anima os peemedebistas é que a bancada do PSDB no Senado ainda não declarou apoio oficial a Antônio Carlos Magalhães, como estava planejado. Reunidos na quarta-feira à noite, os 13 senadores tucanos adiaram mais uma vez a definição. Vamos escolher um candidato, preferencialmente numa decisão em bloco, mas só o faremos no momento oportuno, disse o presidente do PSDB, senador Teotônio Vilela (AL). É uma declaração prudente, avaliou Cunha Lima.


