Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou a definir ontem a reforma que vai alterar o perfil político do ministério, com a substituição de petistas por peemedebistas e a dispensa de candidatos às eleições de 2006, incluindo aí presidentes de estatais. A cota de poder do PMDB no governo foi acertada em conversa de Lula com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o senador José Sarney (PMDB-AP). Além da Previdência e das Comunicações, o partido terá mais dois ministérios: Saúde e Minas e Energia.
A bancada do PMDB na Câmara indicou o deputado Saraiva Felipe (PMDB-MG) para a Saúde em substituição ao petista Humberto Costa, pré-candidato ao governo de Pernambuco. Para Minas e Energia irá o presidente da Eletrobrás, Silas Rondeau, afilhado de Sarney. O cargo está vago há 15 dias, desde a mudança de Dilma Rousseff para a Casa Civil. Previdência e Comunicações continuarão com o partido, mas mudarão de mãos.
Segundo um colaborador do presidente que acompanha as negociações da reforma, Lula acertou com Renan e Sarney a volta do senador Romero Jucá (PMDB-RO) ao Congresso. Investigado por denúncias de fraude fiscal, ele sai da Esplanada, mas terá como compensação o posto de líder do governo no Congresso. Substituirá o senador Fernando Bezerra (PTB-RN), que já havia colocado o cargo à disposição do presidente, quando assinou o pedido de CPI dos Correios.
Como o senador Hélio Costa (PMDB-MG) recusou o convite para a Previdência, a solução foi apelar para a dança das cadeiras dentro do próprio partido. Ele substituirá o ministro das Comunicações, deputado Eunício Oliveira (PMDB-CE), que já comunicou ao presidente Lula que quer disputar o governo estadual ou uma vaga de senador no ano que vem.
O presidente quer liberar já os candidatos, para evitar uma nova reforma ministerial daqui a oito meses, quando a lei obriga todos os ocupantes de cargos públicos a deixarem seus postos para concorrer à eleição.
Nesta composição, o escolhido para substituir Jucá foi o secretário-executivo das Comunicações, ex-deputado Paulo Lustosa (CE), que tinha o apoio de Eunício e de setores da bancada da Câmara para assumir as Comunicações.
Já o ministro de Ciência e Tecnologia, deputado Eduardo Campos (PSB-PE), deu resposta positiva ao apelo presidencial para que permanecesse onde está. Primeiro a ser chamado ao Planalto ontem, o ministro abriu mão de sua eventual candidatura ao governo de Pernambuco para permanecer no posto até o fim do governo.
Outro que desistiu de disputar eleição para ficar no governo foi o ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo (PC do B). Segundo um colaborador de Lula, Aldo ficará no novo ministério, mas não necessariamente no posto em que está hoje.
Também não está definido o comando do Ministério das Cidades. Lula já havia revelado a vários interlocutores, inclusive do PT, sua intenção de dispensar o ministro petista Olívio Dutra. Mas um colaborador do presidente disse que Olívio negou que queira se candidatar no ano que vem.

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