PMDB formaliza independência do governo Lula
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quinta-feira, 02 de dezembro de 2004
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O PMDB do Paraná oficializou ontem a postura de independência ao atual governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e está pedindo a saída dos dois ministros do partido dos cargos que ocupam no governo federal. A intenção é ter liberdade para votar contra o governo, se necessário for, solidificando as bases nacionais para uma possível candidatura à presidência da República em 2006. A decisão do partido no Paraná deverá ser ratificada na convenção estadual marcada para o próximo dia 6 de dezembro. O Estado é o quarto a adotar a postura de independência do governo Lula. Já oficializaram a decisão os estados de São Paulo, Santa Catarina e Tocantins. No Rio de Janeiro, a proposta foi um pouco mais radical. Os peemedebistas cariocas querem se tornar oposição ao governo Lula.
''Acho que os nossos parlamentares precisam ser liberados para votar com a consciência. Sem ficar pensando em cargos. Temos que sair do governo para garantirmos essa transparência. O PMDB não pode ficar atrelado ao governo federal'', afirmou o governador Roberto Requião, em entrevista ontem. Requião não acredita que a decisão do partido no Paraná traga reflexos dentro da Assembléia Legislativa. ''No Paraná é diferente. Nós respeitamos o PT e eles votam no que querem. Não existe atrelamento político e ideológico. O Estado não perde nada saindo do governo Lula. Ao contrário. Aliás, o PMDB do Paraná não ganhou nada até agora em estar apoiando o governo Lula'', completou o governador.
A decisão do Paraná foi repassada ontem na reunião da Executiva Estadual do PMDB para o presidente nacional do partido, Michel Temer, e para o presidente do PMDB de São Paulo, Orestes Quércia. ''Podemos sair completamente do governo para reconstruirmos o partido e garantirmos candidaturas fortes para 2006. Não significa que vamos votar contra o governo Lula. Podemos garantir a governabilidade, aprovando projetos importantes. Mas sem estarmos atrelados a esse governo. Caso contrário, teremos que apoiar a reeleição de Lula. Será que é isso que nosso partido quer?'', perguntou Temer.
O presidente nacional do partido garantiu que tem maioria para a convenção do próximo dia 12 de dezembro, que irá decidir definitivamente a postura do PMDB. De acordo com ele, dos 711 votos que estarão sendo computados na urna, 430 serão pela independência do PMDB. ''Tenho certeza que teremos maioria robusta'', ponderou. Quércia, líder do PMDB de São Paulo, um dos primeiros a tomar postura de independência do governo Lula, propõe ainda que o PMDB mude sua sigla e volte a ser o MDB sigla que ficou famosa pela luta contra a ditadura militar e pela campanha das Diretas Já.
''O governo atual está adotando uma política econômica equivocada, igual ao do governo Fernando Henrique. Queremos uma ruptura com o modelo antigo. Vamos lutar para isso'', ponderou Quércia. Mesmo tendo sofrido oposições severas do grupo de Requião em 1989 quando pretendia ser presidente da República, Quércia aponta o governador do Paraná como um dos possíveis candidatos do partido em 2006. Além dele, seriam fortes candidatos à presidência o governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos, e o ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, atual secretário de Segurança Pública.
Apesar do PMDB do Paraná estar certo da vitória pela independência na convenção do dia 6, um grupo liderado pelo deputado federal José Borba quer garantir que o partido continue dentro do governo Lula, como um partido governista. Caso a proposta de afastamento do governo seja a escolhida também na convenção nacional, os ministros das Comunicações, Eunício Oliveira, e da Previdência Social, Amir Lando, terão que deixar os cargos ou o partido.


