PMDB fica fora da aliança para 2002
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sábado, 30 de junho de 2001
Christiane Samarco Agência EstadoDe Brasília 
O PMDB já está oficialmente fora da aliança governista na corrida presidencial de 2002. Mesmo com a decisão da cúpula ligada ao Palácio do Planalto de disputar o comando do partido com os sublevados do grupo do governador de Minas Gerais, Itamar Franco, todos irão aprovar a candidatura própria na convenção de setembro. Mas nem por isto o governo está aborrecido com os aliados peemedebistas.
Ao contrário, a avaliação predominante no Planalto, hoje, é a de que o partido presta serviço ao governo quando abre a legenda para a candidatura de Itamar. Os articuladores palacianos acreditam que a candidatura do governador de Minas, no campo da oposição, facilita a vida do Planalto na disputa presidencial, independente de nomes. A candidatura de Itamar é útil para nós porque, além de dividir a oposição, ele toma conta dos votos de Minas, o segundo colégio eleitoral do País, e fica impedido de sair de vítima, transferindo votos para Ciro Gomes (PPS), por exemplo, raciocina um dirigente nacional do PSDB.
Na contabilidade dos aliados, o candidato do governo terá que obter de 28% a 30% dos votos para chegar ao segundo turno no caso de haver apenas dois candidatos da oposição na disputa. Com três nomes dividindo os votos adversários, porém, o governo pode ficar competitivo com apenas 20% da preferência do eleitorado.
Isto explica o porquê das recentes declarações do ministro da Saúde e candidato tucano ao Planalto, José Serra, dando conta de que a participação do PMDB na aliança de 2002 é dispensável. Tudo o que eles querem é fragmentar a oposição, confirma o deputado petista Aloízio Mercadante (SP). Este raciocínio é matemático, contesta o líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), ao salientar que tudo vai depender da capacidade do governo de se reestruturar e recuperar prestígio, dando sinais de que o cenário político estará definido apenas em abril do ano que vem.
Certeza mesmo, por enquanto, é só a de que o PMDB não terá participação oficial na aliança, como, aliás, não o teve na reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso. Tudo o que a cúpula governista do partido conseguiu, na eleição de 1998, foi rejeitar a tese da candidatura própria, sem aprovar uma parceria que desse a Fernando Henrique os preciosos minutos do PMDB no horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão.
Esta situação pode repetir-se porque, mesmo decidida a aprovar o lançamento de um peemedebista na corrida presidencial de 2002, o candidato só será lançado, se for, em convenção específica em abril do ano que vem. Em um cenário otimista de economia crescendo, crise energética superada sem apagão, câmbio controlado e base (política) pacificada, não há como negar que a tese da candidatura própria perde força, admite Geddel.
A conclusão geral de que o PMDB ficará fora da aliança deixou o PFL à vontade para negociar a reedição da parceria com o PSDB. Tanto que se sentaram à mesma mesa na semana passada, para tratar de sucessão, os presidentes nacionais do PSDB, deputado José Aníbal (SP), do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), e os ministros das Comunicações, Pimenta da Veiga (PSDB), e da Previdência Social, Roberto Brant (PFL).
A boa vontade para a gente ficar junto é o ponto de partida, mas não bastam juras de amor para que o povo nos queira, adverte Brant, ao defender a tese de que os dois partidos construam um bom programa de governo, que dê aos eleitores razões objetivas para votar no nome do governo. Além disso, será preciso montar palanques comuns para o candidato nos Estados.


