Brasília - Depois de conseguir cinco ministérios e apresentar uma extensa lista de indicações para os melhores cargos do segundo escalão, o PMDB revelou o preço final de seu apoio ao governo. Quer ser o cabeça-de-chapa da coalizão que apóia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial de 2010. Coube ao presidente do partido, Michel Temer (SP), fazer o comunicado do preço a Lula, durante jantar quarta-feira à noite na casa do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), no Lago Sul.
''Sei que é um assunto delicado e talvez eu esteja inebriado pelo estado febril, por causa de uma gripe. Mas, no processo de coalizão, é natural que o PMDB tenha o candidato em 2010'', afirmou o deputado. Se isso ocorrer, faremos o seu sucessor sem maiores dificuldades'', disse Temer. Pego de surpresa, Lula não fugiu ao tema. Mas ficou em cima do muro. Fez um discurso de rasgados elogios ao PMDB e deu a entender que se a coalizão resistir até lá e a decisão dos partidos que o apóiam for esse, o candidato poderá sair de qualquer um.
''Não posso ser candidato a um terceiro mandato. Nada impede um acordo da coalizão em 2010'', disse Lula para os 183 peemedebistas reunidos na casa do presidente do Senado, Renan Calheiros (AL). A aliança governista reúne 11 partidos. ''O presidente disse que em 2010 a coligação deve ser mantida e, sendo o PMDB o maior dos partidos que a integram, poderia sim ter o candidato'', afirmou o ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, interpretando as palavras de Lula logo depois do jantar.
Guardadas as ressalvas de que faltam mais de três anos para as eleições, o que mais anima o PMDB é o fato de que o PT não tem um candidato natural à sucessão de Lula.
O PMDB já trabalha com alguns nomes que poderiam aparecer na lista dos possíveis candidatos a suceder Lula. Um deles é o do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. E não escondeu um antigo sonho, o retorno à legenda do governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB).
Fora dos planos para o futuro distante, o jantar dos peemedebistas tinha a intenção de mostrar unidade para objetivo mais urgente: os cargos no segundo escalão do governo.

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