O governo obteve ontem uma vitória no Senado para conter o movimento a favor da criação da CPI da corrupção. A bancada do PMDB decidiu que nenhum outro senador do partido vai assinar o requerimento da CPI, além dos seis que já deram seu apoio. Isso reduziu a expectativa da oposição de obter as assinaturas necessárias para aprovar a comissão.
Apesar de a decisão do PMDB não ter sido unânime e ter exposto graves divergências internas no partido, o governo comemorou e a oposição foi tomada pelo pessimismo. ‘‘Sem o PMDB fica muito difícil. Havia promessas no partido’’, disse o líder do bloco da oposição no Senado, José Eduardo Dutra (PT-SE), que tem 25 das 27 assinaturas necessárias de senadores, mas não vê perspectiva de obter novos apoios de agora em diante.
Também na Câmara a oposição estava menos confiante ontem. Segundo cálculo do líder do PT na Câmara, Walter Pinheiro (BA), se o PL decidir apoiar a CPI, o total de assinaturas deverá chegar a 150. Para a criação da comissão são necessários 171 deputados. Sem esse apoio, o PT contabiliza ter 143 assinaturas.
Depois da reunião da executiva nacional do PMDB, para definir a posição do partido, a avaliação do governo foi que a CPI está ‘‘combalida’’. Pela manhã, o presidente Fernando Henrique Cardoso havia se reunido com o presidente do Senado e do PMDB, Jader Barbalho (PA), por mais de uma hora. Mais tarde, na reunião, Jader pediu que os senadores não dessem seu apoio à CPI.
Dos 27 senadores do PMDB, 22 estavam presentes à reunião, que durou mais de três horas. Apenas quatro votaram a favor da criação da CPI: Maguito Vilela (GO), Roberto Requião (PR), José Fogaça (RS) e Casildo Maldaner (SC). Pedro Simon (RS) e José Alencar (MG), que também já assinaram o requerimento, não estavam presentes à reunião, mas, consultados por telefone, mantiveram seu apoio à CPI.
Outro fato positivo ao governo, ontem, foi o anúncio de que o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) deverá fazer um discurso, em nome dos tucanos, condenando a CPI. Sua escolha para falar pelos tucanos é simbólica, porque ele e seu irmão Osmar Dias (PSDB-PR), também senador, costumam ter uma posição de independência em relação ao governo. ‘‘Quando falaram em CPI da corrupção, minha primeira posição foi de assinar. Mas depois vi que o requerimento é inconstitucional’’, disse Álvaro Dias.

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