Curitiba - A Executiva do PMDB destituiu 70 diretórios municipais em todo o Paraná, inclusive em Curitiba e Londrina, por não terem eleito 10% dos vereadores de suas cidades, nem prefeito ou vice. A decisão foi tomada na noite de segunda-feira, numa reunião da qual participaram Osmar Serraglio (presidente), Stephanes Júnior, Orlando Pessuti, Enerson Antoniolli (ligado ao deputado Artagão Júnior), Jonas Guimarães, Rodrigo da Rocha Loures e Doático Santos.
A reunião teve o quórum mínimo de sete membros da Executiva, que decidiram aplicar a resolução 01/2012, elaborada antes das eleições municipais do ano passado, que exigia esse ''desempenho mínimo''. A medida não constava na pauta da convocação e vários deputados estaduais estavam em um jantar em homenagem ao aniversário do Tribunal de Contas do Estado. Em todo o Paraná, o PMDB perdeu 82 prefeituras, caindo de 138 para 56.
''Nas últimas eleições, (eles) trabalharam contra o partido. Apoiaram candidatos de outros partidos. Em Curitiba apoiaram o Luciano Ducci (PSB), tendo por exemplo o Pessuti até lançado o seu filho como candidato a vereador pelo PSC do Ratinho. Não estavam com o partido, não estavam junto conosco'', reclamou Requião, que apoiou Rafael Greca, da sigla. Greca acabou em quarto lugar, com 116 mil votos. O PMDB elegeu só uma vereadora, numa câmara composta por 38 parlamentares.
Na reunião de segunda-feira, Pessuti sugeriu a aplicação da resolução e foi apoiado pelos presentes. A decisão atingiu Requião diretamente, pois ele já tinha candidato para a eleição do diretório, até então marcada para 13 de julho. A intervenção estadual suspende o pleito. Os atuais dirigentes terão que explicar à Executiva estadual o porquê de não terem cumprido a meta. Uma comissão provisória será nomeada (disputada entre Pessuti e Stephanes Júnior). ''Em até 120 dias (60 dias prorrogáveis por igual período) devem acontecer as eleições'', explica Romanelli.
Membros ausentes da Executiva reclamaram da medida. ''Eu discordo da forma como foi feito. Não pode dissolver assim um diretório que tem um ex-governador, que é a maior liderança do PMDB. Abre uma briga desnecessária dentro do partido'', criticou Alexandre Curi. Anibelli Neto disse que isso ''fortalece Requião'', pois o senador ''cresce diante das dificuldades''. ''A resolução é impessoal, não diz o nome de ninguém, mas deveria ter sido melhor discutida'', ponderou Romanelli.
''Tenho certeza que posso ser um presidente municipal melhor que ele (Requião). Antes era só um ditador e um monte de pelegos'', atacou Stephanes Júnior. Jonas Guimarães negou que tenha havido um ''golpe'' contra Requião. ''O objetivo é fortalecer o PMDB'', desconversou o político, que é tesoureiro da sigla. ''(São) os que tentaram destruir o PMDB na eleição apoiando candidatos de outros partidos por todo o Paraná. É o começo do fim do PMDB'', respondeu Requião.
João Arruda disse que o ''estatuto foi rasgado'' e vai recorrer à direção nacional. Em nota oficial, o atual presidente da sigla, Serraglio, prometeu ''valorizar, na designação das Comissões Provisórias, os esforços evidenciados nas últimas eleições pelos companheiros peemedebistas, assim como os parlamentares federais e estaduais e o interesse do partido em se fortalecer.''

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