Brasília - A tropa de choque do vice-presidente Michel Temer quer intensificar a operação para desconstruir no exterior o discurso da presidente Dilma Rousseff de que tem sido vítima de um "golpe". Segundo o ex-ministro Eliseu Padilha, um dos principais aliados de Temer, o senador Romero Jucá (PMDB-RR), presidente do PMDB, foi escalado para dar entrevistas a veículos internacionais para tratar do assunto. Em busca de apoio internacional, a presidente Dilma pretende fazer um discurso em cerimônia de assinatura do Pacto de Paris, na Organização das Nações Unidas (ONU), para denunciar uma "tentativa de golpe no país" por meio do processo de seu impeachment. A petista viajará aos Estados Unidos hoje para participar do evento em Nova York amanhã.
Padilha indicou que o partido está buscando a mídia internacional para apresentar o lado de Temer, além de contar com a articulação do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, que está em viagem no exterior. Uma declaração ontem do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, afirmando que não há um "golpe" em curso, é um dos argumentos usados pelo grupo de Temer nas conversas com jornalistas estrangeiros. "Antes tínhamos que falar o que o STF falou no julgamento. Agora o STF está falando que não houve golpe", afirmou Padilha.

GOVERNO TEMER
Temer deve se encontrar nos próximos dias com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). A reunião pode ocorrer, de acordo com Padilha, ainda nesta semana. A comissão especial que trata do impeachment de Dilma começa a trabalhar na próxima semana. Padilha ainda deixou claro que as medidas a serem tomadas por Temer numa eventual substituição a Dilma não deve levar em conta o fato de ser, em tese, um interinidade.

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