Curitiba - O candidato do PSDB ao governo do Estado, Beto Richa, disse ontem que aceita sentar para conversar com o também candidato ao governo, pelo PMDB, senador Roberto Requião. ‘‘Estou disposto a conversar. As costuras estão amadurecendo’’, declarou a jornalistas.
De acordo com o candidato tucano, a aproximação do PPB do deputado federal José Janene com o PDT do senador Alvaro Dias, outro candidato ao governo, ‘‘abriu espaço’’ para o PMDB. O anúncio de Beto veio um dia depois de pepebistas e pedetistas terem firmado um compromisso.
O que ainda não está claro, no quadro político estadual, é como PMDB e PSDB fechariam uma aliança para as eleições de 6 de outubro. Beto Richa conta com o apoio do PFL do governador Jaime Lerner, adversário de Requião, o que dificultaria uma composição. Lerner e Requião não se toleram.
Duas versões corriam ontem nos bastidores. Uma delas dava conta que Requião e Beto se juntariam numa só chapa. Requião seria candidato ao governo e Beto Richa a vice. A outra versão ventilada coloca Requião como candidato único ao Senado; e Beto Richa como candidato ao governo. A vaga de vice ficaria com os dissidentes do PFL que apoiaram Rafael Greca na convenção pefelista e que estariam descontentes com o governador.
A segunda fórmula encontraria dificuldades para se concretizar. É que uma das vagas ao Senado está prometida ao ex-governador e empresário Paulo Pimentel, que não está disposto a abrir mão do projeto. Como o fez em 1998, por pressão de Lerner, às vésperas do fechamento da chapa. Na época, Pimentel acreditava estar filiado no PFL. Uma consulta posterior feita à Justiça Eleitoral revelou que o ex-governador não estava filiado.
‘‘Agrego mais (apoio) e tenho menor rejeição, por ser uma candidatura nova’’, argumentou Beto Richa. Já os peemedebistas entendem que Requião aparece melhor nas pesquisas de intenção de voto e, por isso, seu nome é mais viável que o do filho do ex-governador José Richa.
O deputado estadual Hermas Brandão, presidente da Assembléia Legislativa, disse ontem que há ‘‘85% de chance’’ de tucanos e peemedebistas se abraçarem no palanque, repetindo o cenário nacional que tem José Serra (PSDB) e Rita Camata (PMDB) como cabeças de chapa. Anteontem, as chances, segundo o deputado, eram de ‘‘80%’’.
Beto disse ainda esperar que uma aproximação com o PMDB não espante Lerner de seu palanque. ‘‘Acredito no apoio dele (Lerner)’’, comentou Beto. Requião não tem revelado exatamente o que está sobre a mesa de negociação com os tucanos, mas tem apontado que seu governo tem pontos em comum com o governo do pai de Beto, um dos fundadores do PSDB.(Com Leandro Donatti)

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