O Conselho Político do PMDB deve se reunir em novembro para aprovar o apoio à reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso, mas a palavra final sobre o lançamento ou não de uma candidatura própria ao Palácio do Planalto só será dada pela Convenção Nacional do partido, que a ala governista da legenda planeja realizar em dezembro.
A decisão de reunir o Conselho é parte da estratégia dos governistas de dar uma demonstração de força e evitar que os ministros do PMDB tenham de deixar o cargo em dezembro. ‘‘Espero que o PMDB tome logo sua decisão para que eu também possa tomar a minha’’, avisou Fernando Henrique ontem, durante viagem ao Rio Grande do Sul, para onde embarcou em companhia do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e do ministro dos Transportes, Eliseu Padilha (PMDB-RS). Foi a pressão do presidente e a preocupação com o avanço da tese da candidatura própria - agora incentivada pela idéia das caravanas dos presidenciáveis do PMDB -, que provocou a reação dos governistas em Brasília.
A mobilização foi bem sucedida. ‘‘Gostei da reunião de anteontem’’, disse o presidente, referindo-se ao jantar do PMDB governista. ‘‘É claro que eu gostaria de ter o PMDB no governo. O jantar reuniu nada menos que 8 governadores, 4 prefeitos de capitais, 14 senadores, 62 deputados federais e 19 presidentes de diretórios estaduais do partido. Todos assinaram o requerimento para convocar o Conselho Político. Os votos do grupo, que faz parte do Conselho, são contados como favoráveis a Fernando Henrique. Aprovada a reeleição na Convenção Nacional, os governistas apostam que manterão intactos os comandos dos Ministérios da Justiça, dos Transportes e da Secretaria de Políticas Regionais.
O raciocínio da cúpula governista do partido é o de que Fernando Henrique anunciou a intenção de apressar a desincompatibilização dos ministros políticos de abril para dezembro, para não correr o risco de manter adversários da corrida presidencial dentro do governo por mais quatro meses. Com a definição do partido em favor da reeleição, acredita a cúpula, não haverá razão para antecipar a saída dos ministros. A avaliação geral é a de que o sinal da disposição do governo de manter a equipe até abril foi dado quando o próprio presidente anunciou a abertura de uma exceção ao ministro do Planejamento, Antônio Kandir.
A reação da ala que apóia a reeleição foi comandada pelos ministros Eliseu Padilha (Transportes), Íris Rezende (Justiça) e Fernando Catão (Políticas Regionais); pelo presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e pelos líderes do partido na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), e no Senado, Jáder Barbalho (PA). Foram eles que mobilizaram a centena de peemedebistas para o jantar político.
A idéia inicial era a de convocar a Convenção Nacional no fim do ano, mas os oito governadores do partido, que tiveram um encontro reservado antes do jantar, decidiram por outra manobra. ‘‘Resolvemos recorrer a todas as instâncias partidárias para criar um fato político a nosso favor e preparar o cenário da convenção’’, resumiu o governador do Rio Grande do Norte, Garibaldi Alves.
‘‘Temos número para convocar tanto o Conselho quanto a Convenção, mas queremos fazer tudo por consenso e de acordo com o presidente do partido’’, afirmou Geddel Lima, que vai procurar o presidente Paes de Andrade (PMDB-CE) na próxima semana.

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