A ala do PMDB que defende um rompimento político com o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e o lançamento de uma candidatura própria na disputa eleitoral do ano que vem aprovou ontem, em Curitiba, um plano de metas contendo um discurso alternativo para o partido. O documento, que já foi encaminhado ao presidente nacional, deputado federal Paes de Andrade, faz críticas às políticas adotadas pelo governo federal e deve agravar ainda mais o racha interno no partido.
O documento enfoca temas como o desemprego, o caos na saúde, a falta de uma política agrícola, a precariedade em programas sociais como a moradia, educação e segurança. E pede convenção nacional até o dia 21 de setembro para definir se a vontade da maioria do partido é lançar candidato próprio à presidência.
A proposta ‘‘aponta para um desenvolvimento centrado no homem e na qualidade de vida, com medidas econômicas que servem para conter a inflação não colocando o País submisso à conjuntura econômica da globalização’’, explica o presidente nacional da Fundação Pedroso Horta, José Aristodemo Pinotti. O documento teve o aval de dez presidentes estaduais da Fundação do PMDB e de diversos presidentes regionais do partido.
Pinotti, que já lançou na sexta-feira os senadores Roberto Requião (foto) e José Sarney como pré-candidatos do PMDB à presidência da República, voltou a defender ontem uma aproximação do partido com siglas de esquerda. O dirigente disse que o ex-presidente nacional do PT Luiz Inácio Lula da Silva é um nome que vem sendo cogitado para ser o vice do ‘‘candidato das esquerdas’’, tão defendido pelo grupo.
A distribuição de um panfleto apócrifo contra o governo do Estado - intitulado ‘‘Jogo Limpo’’, o slogan da campanha usada por Requião na inauguração do seu escritório político em Curitiba há dois meses atrás - e o projeto do governo em privatizar as universidades estaduais movimentaram o último dia do encontro nacional das direções da Fundação Pedroso Horta, em Curitiba.
O PMDB nega a autoria do jornal que faz ataques a diversos integrantes da equipe do governador Jaime Lerner (sem partido). Quanto à privatização, Requião acusou o governo estadual de estar sendo ‘‘irresponsável’’. Ele discorda do plano que cria uma fundação que passará a gerir as universidades.
‘‘Vão colocar R$ 200 milhões nesta fundação. Por enquanto o problema estará solucionado, mas a corda vai estourar mais adiante’’, alerta o senador. Requião diz ainda que a medida vai forçar as universidades a cobrar mensalidades dos alunos.

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