Curitiba – A eleição deste ano deixou vencedores e perdedores. O resultado das urnas vai dar o tom de como será o jogo de forças na política do Paraná durante os próximos quatro anos. O PMDB e o PT foram as siglas que mais saíram beneficiadas. As bancadas dos dois partidos, tanto na Assembléia Legislativa como na Câmara dos Deputados, estão maiores e com mais influência graças à vitória de Roberto Requião (PMDB), na briga pelo governo; e de Luiz Inácio Lula da Silva, na disputa presidencial.
  O PFL é o maior derrotado da eleição. O partido do governador Jaime Lerner e do prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi, terá que reconstruir a sua base se quiser voltar ao poder em breve. O não lançamento de candidato próprio e o não engajamento à campanha de Beto Richa (PSDB) racharam o partido, que fica fora do Palácio Iguaçu depois de oito anos. Os dois anos que ainda restam aos pefelistas, frente à prefeitura, prometem ser difíceis para Cassio, que terá de tratar diretamente de questões administrativas com Requião.
  O PSDB ainda está digerindo o amargo da derrota de 6 de outubro. A inconsistência da candidatura de Beto e a falta de base – PTB e PFL não o apoiaram – expuseram os tucanos. Encerrado o primeiro turno, os tucanos decidiram ficar em cima do muro, o que para o grupo político de Beto não é nada bom com a ascensão peemedebista e petista. Ao PSDB, além da reformulação, sobrou o sonho de disputar a Prefeitura de Curitiba em 2004, cargo já cobiçado pelo PT e PMDB.
  O PDT e o PTB engordaram suas bancadas, mas a derrota de Alvaro Dias (PDT), na briga pelo governo, compromete o ambicioso projeto que o partido tinha. Apesar de os dois partidos se firmarem como siglas de oposição – espaço que era ocupado pelo PT e PMDB sobretudo – o fracasso de Alvaro nas urnas traz reflexos que vão até o Legislativo. O PTB, comandado no Estado pelo deputado Valdir Rossoni, dificilmente conseguirá ficar com a presidência da Assembléia Legislativa como planejava a cúpula do partido.
  O PPB de José Janene também está na relação dos partidos derrotados. O PPB conseguiu desgarrar-se do grupo de Lerner, depois de ameaçar nas últimas duas eleições, mas fez a opção errada ao coligar-se com o PDT. A sigla fica, num primeiro momento, fora do poder, o que será uma experiência nova para um partido com vocação governista. A derrota de Tony Garcia, na briga por uma das vagas ao Senado, também contribuiu para o desgaste.
  O PPS de Rubens Bueno sabia que não iria ganhar a eleição, pela fragilidade do partido no Estado, mas no saldo final da disputa saiu em vantagem. Ao aderir à campanha de Requião, no segundo turno, cacifou-se o seu na briga por cargos do novo governo.
  O inexpressivo PSC de Giovani Gionédis conseguiu sair do limbo e manter-se em evidência durante o processo eleitoral, apesar da péssima pontuação do ex-secretário da Fazenda, que deve lançar-se nas próximas eleições para um cargo mais adequado ao seu potencial de votos. O partido ainda tem um futuro indefinido.

mockup