Curitiba - Após o período de paz do recesso legislativo, a relação entre os deputados do PMDB e do PT na Assembléia Legislativa voltou a piorar. O motivo desta vez é a indicação do novo presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), atualmente presidida por Hermes da Fonseca (PT). O líder do PMDB, Antonio Anibelli, afirmou ontem que o partido está disposto a partir para um bate-chapa com o PT pela presidência da comissão, caso o nome indicado pelos petistas não agrade aos peemedebistas.
Pela tradição da Assembléia, o cargo de presidente da CCJ caberia ao PT por ter sido o partido com a maior bancada no início da legislatura, em 2003. Porém, o regimento interno que entrou em vigor ontem na Assembléia prevê que os treze membros da CCJ possam escolher o presidente da comissão por votação. A CCJ tem importância estratégia porque todos os projetos de lei passam por ela antes de serem votados em plenário.
Anibelli anunciou ontem que o PMDB só aprovaria a indicação do PT caso a escolha recaísse novamente sobre Hermes da Fonseca. ''Ele tem muito conhecimento das leis e exerceu um trabalho brilhante no último ano, representando o Paraná com dignidade tanto nacionalmente quanto internacionalmente. Existem deputados do PT que, no meu entendimento, não têm competência para exercer a função de presidência da CCJ. Caso eles apresentem os nomes que pretendem indicar, ficará mais fácil chegar a um consenso'', afirmou Anibelli. O prazo final para que os partidos apresentem os integrantes das 15 comissões permanentes da Casa termina hoje.
O líder do PT na Assembléia, Tadeu Veneri, indicou que o partido pode endurecer o jogo caso o PMDB insista em vetar o nome dos petistas. ''Se não tiver acordo na CCJ, não vamos ter acordo também nas comissões que caberiam ao PMDB. E mais: não vai ter acordo em nenhuma votação de interesse do governo'', afirmou Veneri. Aliados desde a eleição do governador Roberto Requião (PMDB) em 2002, PT e PMDB começaram a se distanciar no final do ano passado após terem sido derrotados nas eleições municipais das maiores cidades do Estado, com exceção de Londrina. Atualmente, a bancada petista exerce um ''semi-apoio'', com alguns deputados pregando a independência do governo.
Quatro deputados petistas buscam uma indicação para as duas vagas a que o partido tem direito na CCJ: Padre Paulo, Luciana Rafagnin, Elton Welter, André Vargas e o próprio Hermes da Fonseca. ''O PMDB se antecipou com essa postura mesmo antes da gente ter discutido internamente quais os nomes escolhidos. O que há é uma tendência de que o Hermes não seja indicado para a presidência, porque nós buscamos fazer um rodízio dos cargos de maior visibilidade dentro da bancada'', disse Veneri.
O impasse PT-PMDB fez despertar as ambições dos partidos menores. Mesmo com uma bancada pequena, o PPS agora também julgou por bem lançar a candidatura de Ratinho Jr. à presidência da CCJ. ''Pode ser uma terceira via, uma vez que os dois partidos chegaram a um impasse'', afirmou Ratinho Jr.

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