PMDB e PP querem vagas de petistas-candidatos
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terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Vera Rosa<br>Agência Estado 
Brasília - Está cada vez mais acirrada a disputa entre o PT e o PMDB por cargos no governo federal. Agora, além da guerra pelas vagas do setor elétrico, o objeto do desejo é o Ministério da Previdência, comandado por Luiz Marinho (PT), que vai sair até junho para se candidatar à Prefeitura de São Bernardo do Campo (SP), berço político do petismo. Uma briga menos ruidosa, mas que desperta o interesse de partidos menores, também ronda o Ministério do Turismo, hoje chefiado por Marta Suplicy (PT).
Embora ela prefira se preservar para a corrida ao governo paulista, em 2010, o Palácio do Planalto dá como certa sua entrada no páreo pela Prefeitura de São Paulo. Nesse cenário de eleições municipais à vista, Marta e Marinho são dois nomes do PT que devem ser substituídos em breve no time de 37 ministros. Pelo calendário eleitoral, ministros que vão participar do pleito de outubro são obrigados a deixar os cargos até 5 de junho.
''Eu serei candidato a prefeito, mas vou falar sobre isso somente em março'', desconversa Marinho. ''Estou muito feliz no governo e não vou decidir nada de afogadilho'', tem dito Marta. Articulador político do Planalto, o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, quer passar ao largo dessa nova queda-de-braço. ''Já avisei a quem me procurou que esses cargos pertencem ao PT'', afirma. ''A minha função aqui é conciliar, mas sou sincero: não fico enrolando ninguém.''
Depois de conseguir emplacar o senador Edison Lobão no Ministério de Minas e Energia, a cúpula do PMDB espera que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva bata o martelo nesta semana sobre os nomes para as presidências da Eletrobrás e Eletronorte. Mas, após fincar bandeira nesse território, deixará claro seu próximo alvo: o Ministério da Previdência.
''O PMDB quer o céu, a terra e o mar'', protesta o líder do PP na Câmara, Mário Negromonte (BA). ''Eu não vou fazer medição, mas vamos reivindicar mais um espaço. Afinal, temos uma bancada de 41 deputados fiéis, um senador e um governador de Goiás. Não fazemos chantagem e ajudamos muito o governo'', provoca Negromonte, ao lembrar que o PP comanda apenas um ministério, o das Cidades, enquanto o PMDB está à frente de 6 e o PT, de 16.
Gula
O líder já disse a Múcio que o PP tem interesse na Previdência e no Turismo e continua de olho na Diretoria Administrativa da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) - empresa que será comandada por um aliado de outro partido, o ex-governador do Ceará Lúcio Alcântara (ex-tucano e hoje filiado ao PR). Com a Diretoria de Abastecimento da Petrobrás assegurada, o PP quer, ainda, seu quinhão na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e na presidência do BB Seguros.
''Nosso governo é generoso: dá cargos, status, manda flores, mas, na hora em que precisa de carinho, não tem voto. É um amor não correspondido'', ironiza o deputado Jilmar Tatto (SP), terceiro vice-presidente do PT. ''Esses aliados são muito gulosos, principalmente os do PMDB.''
Sem querer entrar na briga - agravada depois de Lobão ter dito que não será ''tutelado'' pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff -, o deputado Henrique Eduardo Alves (RN), líder do PMDB na Câmara, argumenta que a disputa não é boa para o governo de coalizão. ''Ocupamos o espaço do maior partido do Congresso e não há motivo para conflito.''


