PMDB é o partido mais assediado
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sábado, 20 de maio de 2006
Ana Paula Scinoccae Carlos Marchi<br> Agência Estado 
São Paulo - Uma semana depois da convenção que decidiria pela candidatura própria, o PMDB exibe uma imagem de partido fragmentado. Aquele que já foi o maior partido brasileiro hoje é uma colcha de retalhos que só sonha com vitórias localizadas, para acomodar a configuração de uma ''federação de interesses'', como suas próprias lideranças maiores rotulam. Com diretórios em 4.671 municípios, 9 governadores, mais de mil prefeitos e as maiores bancadas no Senado (21) e na Câmara (82, empatado com o PT), o PMDB não é temido, mas desejado.
Em nível nacional, ele trafega na contramão dos partidos políticos não quer ser adversário de ninguém. O PMDB vive em guerras internas não contra os adversários, mas a favor deles. O que seus integrantes mais querem é concretizar alianças nos Estados, de forma a continuar no poder. Espera fazer as maiores bancadas no Senado e na Câmara, mas elas não servirão para exercer o poder, mas para compartilhá-lo.
Pelo cenário de hoje, o sonho acalentado pelo PT do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter um vice do PMDB não acontecerá mais. Quebrado em muitos pedaços, o PMDB não será nem de tucanos nem de petistas. Na maioria dos Estados deverá fechar com o PSDB de Geraldo Alckmin; em pelo menos quatro Estados Bahia, Goiás, Tocantins e Pará estará fechado com o PT e com Lula. Mas um grupo de abnegados ainda sonha que, acima da fragmentação, será possível concretizar a candidatura própria com um nome da velha guarda - o senador Pedro Simon (RS). De todas as negociações em andamento nos Estados, segundo admitem caciques do partido, a mais difícil é exatamente a que envolve São Paulo. Aqui, o PMDB recebeu ofertas ''tentadoras'' do PT e do PSDB. Ambos ofertaram ao PMDB do ex-governador Orestes Quércia e do presidente nacional da sigla, Michel Temer, a vaga de vice nas chapas encabeçadas por José Serra, no lado tucano, e por Aloizio Mercadante, no campo petista. A aliança PSDB-PFL loteia, também, a vaga para o Senado, segundo oferta pública do governador Claudio Lembo.
O avanço sobre o PMDB se concretizou logo após a convenção que decidiria pela candidatura própria e que acabou não decidindo nada, a não ser pelo lançamento não-oficial do nome de Simon e que ainda depende de validação judicial. O partido tem uma nova data para a convenção oficial 11 de junho e até lá continuará oferecendo suas prendas políticas no mercado eleitoral. ''Até lá, temos muito tempo para conversar'', sentencia Temer.
O presidente do partido reconhece que na avaliação Estado por Estado, o PSDB apresenta mais atrativos que o PT, mas adverte que os acordos não foram sacramentados. Temer ainda manifesta esperança de que o PMDB possa ter um candidato próprio. O lançamento de Simon, feito na convenção pelo ex-governador Anthony Garotinho, está sendo articulado nos Estados pelo deputado Cézar Schirmer (RS) e pelo ex-deputado Ibsen Pinheiro.
Simon admite que pode ser candidato, mas contrapõe uma precondição que ele mesmo sabe inexistir: se o partido tiver ''um mínimo de organização''. No fundo, ele também degusta uma esperança remota: ''Se der, vai sacudir a eleição'', saboreia, imaginando-se uma terceira via capaz de interpor-se na disputa entre Lula e Alckmin.
''A pré-candidatura do Simon ganhou força nos últimos dias. Ainda podemos ter candidato próprio, o que seria interessante para o PMDB'', afirma Temer. As negociações nos Estados, no entanto, avançam velozmente e operam contra as chances de Simon.
Sem papas na língua, poucas lideranças do PMDB falam português tão claro quanto Jarbas Vasconcelos, ex-governador de Pernambuco. Com a moral de quem foi fundador do MDB e do PMDB, ele reconhece que o partido é hoje uma ''federação de interesses'', solta o verbo contra Anthony Garotinho ''é populista, tem discurso atrasado, deveria ser expulso do partido'' e diz que o PMDB dele não é o de José Sarney, Renan Calheiros e Jader Barbalho.
Desejado como vice por José Serra em 2002 e por Lula em 2006, descartou a primeira sondagem e elimina, agora, o apoio ao presidente. ''A chance de apoiarmos Lula é zero'', deixa claro. ''O PMDB não irá todo nem para Lula nem para Alckmin.''
Jarbas diz que reeditará em Pernambuco a aliança PMDB-PFL-PSDB que o elegeu duas vezes e que agora terá como candidato o vice-governador Mendonça Filho, ele mesmo, Jarbas, concorrendo ao Senado. Afirma que a aliança deverá apoiar Alckmin, mas não perde tempo em cobrar que o tucano tenha uma proposta aprofundada para investimentos em infra-estrutura.


