Kraw Penas/Folha de LondrinaMudando de aresJosé Tavares é cumprimentado pelos seus novos colegas do PTB: governo trata melhor os aliadosA campanha comandada pelo governador Jaime Lerner (PFL) para enfraquecer o PSDB do presidente da Telepar, ex-governador Álvaro Dias, começa a atingir o PMDB do senador Roberto Requião. O deputado José Tavares foi o primeiro a deixar a sigla. Anunciou na noite da última segunda-feira a sua filiação ao PTB, depois de um convite oficial do governador.
O trabalho de convencimento costurado por Lerner não pára aí e deve atingir outro ‘fiel escudeiro’ de Requião, o deputado Caíto Quintana, que nos círculos políticos mais íntimos não descarta o seu ingresso no PFL pelas mãos do presidente da Assembléia, Aníbal Khury (PFL). O medo das reações de Requião seria o único motivo que emperra a decisão.
A primeira baixa do PMDB, que há cerca de dois meses pensou ter se ‘livrado’ dos últimos ‘infiéis’ (leia-se Durval Amaral e Cleiton Crisóstomo), pegou a bancada de surpresa. Tavares acertou na última hora a sua filiação. A decisão foi tomada em conversa reservada no Palácio Iguaçu. ‘‘Era impossível a minha sobrevivência’’, justifica o deputado, que em 98 disputará uma vaga na Câmara Federal.
Depois de 23 anos filiado no PMDB, José Tavares sai do partido aliviado por não precisar mais, paradoxalmente, se dividir entre situação e oposição. Ele alega que ‘‘deputado aliado é melhor tratado pelo governo do Estado que o de oposição’’. ‘‘Eu não tenho dúvidas de que é bem mais fácil se reeleger no PTB. Na oposição, nunca tive trânsito’’, assinala.
Outro motivo alegado pelo parlamentar para ‘abraçar’ o PTB foi o excessivo número de pré-candidatos do PMDB na região de Londrina, sua base eleitoral, e a indefinição do senador Requião em decidir se é candidato ao governo ou à sucessão presidencial. Célio Guergoletto, Farage Khouri, Eurides Moura, Gilberto Martin e Dorival Martins estão se preparando para as eleições de 98. ‘‘No PTB fico como o candidato único da região’’, avalia.
Tavares usou a tribuna da Assembléia ontem para fazer o anúncio da troca e esboçar a trajetória política que percorreu no PMDB. Foi duas vezes deputado federal e três estadual. Participou do processo político em favor da anistia aos presos políticos. Foi secretário da Justiça durante o governo Requião e em 96 concorreu à Prefeitura de Londrina com Antonio Belinati (PDT) e Luiz Carlos Hauly (PSDB).
Para o presidente da bancada do PMDB, Orlando Pessuti, a saída de José Tavares será ‘‘isolada’’. ‘‘Ele conversou conosco e expôs as dificuldades em permanecer no PMDB. Por essa nós não esperávamos’’, confessa o líder. Ele conta que ficou sabendo da decisão somente na tarde de segunda-feira e que aguardava ontem o pedido de desfiliação, que também deve ser remetido à Justiça Eleitoral.

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