PMDB é acusado de não pagar show
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quarta-feira, 09 de dezembro de 1998
Patrícia Zanin 
O músico Dodô da Bahia que fez shows para a campanha do senador Roberto Requião (PMDB) ao governo do Estado alega que ainda não recebeu R$ 17 mil. Ele é de Salvador (BA), mas mora no Rio de Janeiro, de onde falou à Folha, por telefone. Só não conversei ainda com o senador. De resto, procurei todo mundo: o pessoal do comitê de empresários, tesoureiros e eles não falam que pagam nem que não pagam, afirmou Dodô.
Ele contou que dos oito shows realizados durante a campanha, apenas dois foram pagos. Abri mão de receber aqueles que foram cancelados por causa da chuva, garantiu. Dodô disse ter acompanhado o cantor Jair Rodrigues na reta final da campanha do senador. A esposa do Jair também teve dificuldade para receber, mas para eles o pessoal pagou, afirmou.
O cantor disse que os R$ 17 mil da dívida não são para ele. Tenho bailarinos, músicos e técnicos para pagar, afirmou. Dodô disse ter trabalhado para a campanha de Requião em 90 e também em 94, quando ele foi eleito senador. Nunca tive problema, relatou. Dodô disse que já são 14 anos de amizade. Não fiz nem contrato porque o que vale é a palavra de pessoas direitas que devem estar muito descapitalizadas para não pagar, acredita.
O tesoureiro do PMDB, Acir Mezzadri, disse que a contratação de shows não passou pelo partido e sim pelo comitê de empresários da campanha. Um dos responsáveis pelo comitê, Vinicius Bley Filho, disse ontem à Folha estranhar o valor reivindicado pelo músico. Para mim já estava tudo pago. Não me recordo de ter ficado pendência, disse.
Segundo ele, um grupo de empresários se cotizou para o pagamento e muitos shows eram bancados pelas lideranças dos municípios onde o músico fazia as apresentações. O único contato com o Dodô foi convidá-lo para a campanha. O pagamento foi dividido. Eram mais de 50 pessoas, afirmou Bley Filho, que promete ligar hoje para Dodô para pegar mais detalhes. Agora também preciso fazer um levantamento com os empresários para verificar se existe mesmo algum débito. Ele confirmou que não existe contrato entre as partes.


