PMDB do PR se une a rebeldes
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segunda-feira, 23 de fevereiro de 1998
Leandro Donatti 
O PMDB do Paraná vai se somar à ala rebelde do partido, que articula o lançamento de uma candidatura própria à presidência da República, na última semana antes do encontro nacional extraordinário do dia 8 de março, que decidirá os rumos da sigla nas eleições 98. A pedido do senador Roberto Requião - um dos postulantes à vaga - lideranças do partido no Estado integrarão uma das caravanas organizadas pelo Movimento Ulysses Guimarães, que percorrerá de 2 a 6 de março os estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Paraíba, Minas Gerais e Goiás.
A caravana contará com um avião fretado pelo prefeito de Contagem e pré-candidato do PMDB ao governo de Minas Gerais, Newton Cardoso. O presidente interino do partido no Paraná, Milton Buabssi, e o líder da bancada na Assembléia Legislativa, deputado Orlando Pessuti, participarão da caravana, articulada para neutralizar o trabalho da tropa de choque dos governistas em defesa da reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Antes de embarcar, Buabssi entrega o comando da sigla para o ex-governador Mário Pereira, licenciado da função desde junho de 97.
A caravana conta com a presença em peso do PMDB de Minas Gerais, que defende a indicação do ex-presidente Itamar Franco para concorrer à sucessão de Fernando Henrique. Dentre os peemedebistas mineiros que foram destacados para o corpo-a-corpo junto aos delegados nos estados estão o presidente do partido em Minas, deputado federal Armando Costa; o líder da bancada estadual, deputado Anderson Adalto; o ex-ministro da Cultura José Aparecido de Oliveira, além de Newton Cardoso.
Se o PMDB não tiver candidato próprio à presidência da República, o último a sair, por favor, apague a luz. É com este mote que o Movimento Ulysses Guimarães pretende garantir votos na convenção do dia 8. O principal desafio da caravana será no Rio Grande do Sul, reduto político de Antonio Britto, um dos maiores aliados de Fernando Henrique entre os governadores do PMDB, e do ex-ministro Odacir Klein, que veio há cerca de 20 dias ao Paraná criticar o engajamento do presidente nacional do PMDB, Paes de Andrade, no processo.
O principal argumento dos defensores da candidatura própria é de que o PMDB continua sendo o maior partido brasileiro e que possui nomes com viabilidade eleitoral. Sem candidatura própria, o PMDB seguirá a reboque de um partido que surgiu das suas próprias entranhas, mas cujo projeto político é apenas o de manter-se no Poder a qualquer preço, consta no documento enviado pelo Movimento aos 527 delegados com direito a voto, numa referência ao PSDB do presidente Fernando Henrique.
O senador Requião aproveita os últimos dias antes do encontro para intensificar contatos. Ele não participará da caravana, mas conversará com lideranças nacionais. Consciente das dificuldades em emplacar o seu nome como candidato do PMDB, o senador diz não ter dúvidas de que a tese da candidatura própria suplantará a de uma coligação com os tucanos.


