PMDB do Paraná quer oposição a FHC
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sexta-feira, 07 de setembro de 2001
Dimitri do Valle 
O PMDB do Paraná vai participar do coro contra a renovação do apoio ao presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) na convenção nacional em Brasília, que define amanhã o novo comando da legenda. Oposição e governo têm interesse na eleição. Por ser o maior do País, o partido terá direito a 15 minutos de propaganda no rádio e na tevê durante a campanha presidencial, um espaço cobiçado para quem pretende conquistar o Palácio do Planalto.
A corrente do deputado federal paulista Michel Temer defende a permanência na base aliada, proposta descartada pelo presidente do partido no Paraná, senador Roberto Requião. ''Vamos saber se ainda existe vida ativa no partido. O PMDB é contra o governo, embora a cúpula esteja cooptada pelo governo federal, que liberou verbas para subornar os convencionais.''
Requião estará ao lado de lideranças como o ex-governador paulista Orestes Quércia, antigo desafeto; do presidente interino da legenda, senador Maguito Vilela, de Goiás, e do governador mineiro Itamar Franco, para exigir que o partido adote uma postura independente e candidatura própria à presidência.
Mesmo tendo controle total sob o partido no Paraná, Requião não conseguiu convencer alguns filiados a se posicionar contra Temer. O ex-governador Mário Pereira, vice de Requião até a desincompatibilização para disputar o Senado, em 1994, e o deputado federal José Borba, integram a chapa de Temer na corrida pela presidência do diretório nacional.
Os deputados Hermes Parcianello e Moacir Micheletto também estariam apoiando o colega paulista. Mesmo com as cisões, Requião prevê que os 21 delegados do PMDB paranaense vão votar pela candidatura de Maguito Vilela, principal defensor do rompimento com FHC. ''No Paraná não tem ninguém apoiando o governo federal, com exceção do Frangão (Hermes Parcianello) que ganhou verbas para uma faculdade no interior do Estado.''
Mas o posicionamento dos correligionários do próprio Estado não é, pelo menos agora, a principal preocupação. A adesão do senador gaúcho Pedro Simon à chapa de Temer surpreendeu Requião. ''O Pedro está sendo iludido pela chapa do Temer.'' Apesar da decisão de Simon em não aderir aos que defendem o desembaque do governo, Requião acredita que os opositores à candidatura Temer devem vencer a convenção, embora existam pesquisas que dão ao paulista 70% das intenções de voto dos 509 delegados do partido que vão escolher o novo diretório.
Para Requião, a eventual vitória sobre o grupo governista terá um gosto de revanche contra o presidente da República. Durante a troca de farpas com o então senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), FHC usou o nome de Requião para atacar o baiano, igualando ambos a ''um trombone isolado na orquestra''.


