Seria para debater o futuro do vereador Henrique Barros dentro do partido, mas a reunião da executiva municipal do PMDB, ontem de manhã, terminou com a divulgação dos nomes de cinco edis que estariam intimados a depor no Ministério Público (MP), a partir de amanhã. O anúncio, feito pelo presidente da sigla em Londrina, deputado estadual Luiz Eduardo Cheida, surpreendeu até mesmo nomes do PMDB local, como o do vereador Osvaldo Bergamin.
Além de Bergamin, segundo Cheida, o inquérito que apura crime de concussão supostamente cometido por Barros, preso em flagrante quinta-feira passada, de posse de R$ 9,9 mil, teria arrolado para depor também Flávio Vedoato (PSC), Gláudio Renato de Lima (PT), Renato Araújo (PP) - os três, membros da comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa - e Orlando Bonilha (PR). O deputado se reuniu na tarde de sexta com um dos promotores que investigam o caso, Cláudio Esteves, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Entretanto, preferiu atribuir a fonte sobre os dados de eventuais intimações a conversas com vereadores, ou com advogados deles.
''Conversei com o (secretário estadual de Segurança Pública, Luiz Fernando) Delazari algumas vezes, sobre esse caso, e me parece que dos vereadores que deverão prestar informações ao MP a título de colaboração, muitas vezes até de investigação, são o Bonilha, Araújo, Vedoato, Gláudio e Bergamin'', elencou. Questionado fora da coletiva de imprensa sobre a origem de tal informação - uma vez que a Promotoria vem mantendo sigilo sobre as identidades, para não prejudicar as investigações -, Cheida resumiu: ''Soube pelos próprios vereadores; eles estão comentando que seriam esses os nomes'', alegou.
Na reunião de ontem, os nove membros da direção da Executiva e mais 18 filiados definiram, por consenso, afastar Barros da liderança do PMDB na Câmara. No lugar dele, ficará Bergamin. Além dessa medida, o grupo decidiu ainda acionar a comissão de ética do partido para apurar se a situação de Barros implicará em punição - que pode ser desde a mera advertência à suspensão, ou, em último caso, expulsão.
Conforme o presidente do partido, não há data precisa para que os trabalhos internos sejam concluídos. ''A comissão vai atuar paralelamente ao MP, subsidiada pelo que os promotores apontarem. E o que os promotores deixam claro é que a situação praticamente não deixa nenhuma margem a dúvidas: há provas materiais, e empresários os têm procurado para denunciar que isso tudo vinha ocorrendo. Assim, creio que há evidências mais que suficientes para manter o vereador preso e com o acionamento dos devidos processos judiciais'', ponderou. Se isso se refletirá em futura expulsão? ''Se comprovado o crime, sem dúvida alguma. Mas queremos que o vereador tenha chances amplas de defesa''.
O promotor do Gaeco informou ontem que, de quatro intimações, três - cujos nomes novamente ele preferiu não revelar - já teriam sido entregues para depoimentos amanhã. A respeito da especificação dos vereadores, feita por Cheida, Esteves respondeu: ''A Promotoria não confirma nada; isso só será feito no fim das investigações. Esse tipo de informação deve ter sido coletado pelo deputado junto ao vereador (Barros) ou a familiares dele'', garantiu.

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