Curitiba - A cúpula do PSDB pode ter jogado um balde de água fria na última tentativa dos peemedebistas de manter a coligação com os tucanos. Na terça-feira, a corte do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Paraná decidiu impugnar a coligação encabeçada pelo candidato à reeleição ao governo do Estado, Roberto Requião (PMDB), e pelo presidente da Assembléia Legislativa, deputado estadual Hermas Brandão (PSDB). Desde então, o PMDB informava que não iria recorrer da decisão ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas que faria uma última tentativa com a coordenação nacional do PSDB.
Ontem, lideranças estaduais do PMDB informaram extra-oficialmente que a cúpula tucana não iria voltar atrás na decisão do final de junho, quando foi anulada a convenção do PSDB que oficializava a coligação. A assessoria do presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati, negou que já tivesse uma decisão em torno do assunto e informou que ainda há diálogo com correligionários do Estado.
Por volta das 17 horas de ontem, no entanto, a coordenação da campanha eleitoral do governador informava que o partido iria indicar um novo vice na chapa e que o nome ainda estava sendo definido. A coordenação adiantava também que o nome pertenceria ao PMDB, e não ao PSC, sigla que também integra a candidatura do governador. No início da noite, líderes do partido comentavam que o atual vice-governador, Orlando Pessuti (PMDB), é quem deverá ocupar a vaga aberta.
O vice-governador chegou a ser eleito para o cargo de conselheiro do Tribunal de Contas (TC) do Estado em meados de março, mas nunca assumiu o posto. Nos bastidores, o comentário era de que ele esperava justamente as decisões relativas às alianças. ''As chances do vice ser o Pessuti são de 99%. Mas o Requião está agora na região Sudoeste e as decisões passam por ele. Amanhã (hoje) acredito que o nome do Pessuti seja confirmado'', disse o chefe da Casa Civil, Rafael Iatauro.
O ex-secretário de Desenvolvimento Urbano Renato Adur, que estava sendo cotado para a vaga de vice, também falou sobre a preferência dada ao Pessuti. ''Pensamos no Pessuti como candidato ao Senado para se criar um novo fato político, mas o Requião entende que ele sempre foi um cidadão leal, um companheiro, e deve ocupar a vaga de vice'', disse o ex-secretário. Em entrevistas à imprensa, Pessuti sempre confirmou sua vontade em disputar novamente as eleições numa ''chapa puro sangue''.
O presidente do PSDB do Paraná, Valdir Rossoni, que apóia a candidatura do senador Osmar Dias (PDT) ao governo do Estado, disse que está tranquilo depois que o TRE deu fim à coligação, e que não se surpreende com a decisão dos caciques nacionais. ''Se eles voltassem atrás seria muito desgastante para o partido'', disse.
Rossoni explicou que a coordenação nacional do PSDB chegou a consultá-lo sobre o apelo do PMDB feito após a decisão do TRE. ''Eu apenas reprisei o que já havia dito quando eles anularam a convenção aqui'', conta. O argumento da ala tucana contrária à coligação é de que Roberto Requião não apoiaria o candidato do PSDB à presidência, Geraldo Alckmin.

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