PMDB deve promover transição pacífica
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domingo, 26 de janeiro de 2003
Ariosto Teixeira<br> Agência Estado 
Brasília O acordo de pacificação interna anunciado pelo PMDB produzirá, a curto prazo, um cenário de otimismo quanto ao desempenho do Congresso no exame e votação das propostas do governo Lula.
Além de um quadro politicamente estável, o entendimento entre os dirigentes do partido assegurará uma transição pacífica e mais tranquila no rodízio de poder nas duas Casas do Congresso. É um cenário bem diferente daquele que levou à renúncia, em 2001, os senadores Jader Barbalho (PMDB-PA) e Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA).
O PMDB operava com conflitos internos que ameaçavam dividir o partido muito mais do que ele se encontra na sua atual fragmentação. O acordo proposto por seu presidente, deputado Michel Temer (SP), abre o caminho do PMDB em duas direções.
A primeira, e mais importante do ponto de vista da legenda, é a preservação do controle da presidência do Senado e, portanto, de um canal privilegiado de diálogo com o Palácio do Planalto. Sarney é do quadro do PMDB desde 1985, mas nunca foi absorvido inteiramente pelo partido por seu passado de apoio à ditadura e de ex-presidente do PDS, o partido que dava sustentação ao regime militar.
A indicação de Sarney como candidato único do PMDB pode ser vista como uma espécie de anistia. Ela deixa no passado as desconfianças e a discriminação que o ex-presidente da República enfrentava no partido e o promove à condição de alto dirigente da legenda.
O segundo caminho consistirá na adesão em bloco ao governo Lula. Ela se inicia pela indicação de Sarney e pelo apoio da bancada de deputados à eleição do petista João Paulo Cunha (SP) à presidência da Câmara. Com o PMDB, o governo supera a barreira da maioria absoluta e fica muito próximo da maioria qualificada de três quintos dos votos para aprovar emendas à Constituição.
Para o PMDB, esse quadro é o desejável e possível neste momento, explica o ex-deputado e ex-presidente do partido, Paes de Andrade, que liderava a dissidência pró-Sarney na disputa com a direção nacional, antes do acordo de sexta. O senador Sarney acredita que o acordo político feito pelo PMDB terá impacto no Congresso e no sistema político e que ele abre novas perspectivas para o partido.
O presidente do PMDB, Michel Temer, já antevê um partido mais orgânico e preparado para as mudanças a serem feitas no sistema político. ''A pacificação e a unidade do PMDB será a obra máxima da minha gestão'', diz Temer, e desabafa: ''Nunca havia recebido uma missão tão complexa como a de presidir o nosso partido, e isso que fui duas vezes secretário de Segurança Pública em São Paulo, presidente da Câmara e líder da bancada''.


