PMDB deve garantir votos à reeleição
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quarta-feira, 08 de janeiro de 1997
Agência Estado De Brasília 
Com seis votos na comissão especial da reeleição, o PMDB deverá transformar-se na garantia da aprovação do projeto que permite a reeleição de presidente da República, governador e prefeito. A convenção nacional do partido, marcada para domingo, deixará com a bancada na Câmara a decisão sobre o voto na comissão especial, um dia depois, na segunda-feira, à tarde. E na bancada a reeleição deverá ter maioria.
A tendência é a orientação ao voto favorável à reeleição, disse o deputado Carlos Nelson (PMDB-SP), integrante da comissão especial, pessoalmente contrário à reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso, mas obediente e disposto a seguir o que determinar o líder Michel Temer (SP). Os seis deputados do PMDB terão comportamento igual e pelo menos outros dois vão votar contra a suas próprias convicções políticas: José Aldemir (PMDB-PB) e João Natal (PMDB-GO), que também eram contrários a dar ao presidente Fernando Henrique a chance da reeleição. Eles deverão fazer um voto em separado, com os argumentos das razões pelas quais estarão votando a reeleição-já.
O PPB e o PL, que têm seis votos na comissão especial, foram abandonados de vez pelos partidos aliados ao governo. Ninguém mais conta com qualquer voto do partido do ex-prefeito Paulo Maluf, agora integrado à oposição, pelo menos na Câmara. O PPB faz hoje uma reunião da Executiva nacional do partido para decidir como deverá tentar obstruir a votação da emenda da reeleição. O líder do partido, Odelmo Leão (MG), disse que haverá recurso à Comissão de Constituição e Justiça contra a inclusão da emenda na pauta de trabalhos extraordinários.
Se o partido decidir, poderemos até ir ao Supremo Tribunal Federal, disse ele. Apesar da rebeldia que toma conta do PPB da Câmara, o presidente nacional do partido, senador Esperidião Amin (SC), trabalha contra a possibilidade de se decidir pelo recurso ao Judiciário. Os dois lados vão medir as forças hoje. Na Câmara o senador Esperidião Amin conta ainda com o apoio de alguns deputados, que seguem a orientação de Pauderney Avelino (PPB-AM), ligado ao presidente Fernando Henrique e adversário de Odelmo Leão.
No primeiro confronto com o governo, na convocação extraordinária, o PPB perdeu. O partido aliou-se ontem ao PT, ao PDT, ao PSB e ao PC do B para obstruir a sessão de abertura do período das extras. Mas não conseguiu impedir que 266 deputados aparecessem para votar, sete a mais do que o necessário. Nesta votação três deputados do PPB recusaram-se a observar a orientação de Odelmo Leão. Foram eles: Expedito Júnior (RO), José Lourenço (BA) e Flávio Derzi (MS).
A comissão especial reiniciou os trabalhos ontem à noite, para ganhar tempo nos debates e garantir a votação no dia 13, segunda-feira, à tarde. O governo está utilizando a tática do estupro, afirmou o deputado José Genoíno (PT-SP). Dá todo tempo para o debate e, na hora da votação, põe o rolo compressor para decidir tudo em um dia só.


