PMDB determinou derrota da PEC
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quinta-feira, 20 de maio de 2004
Agênia Folha 
Brasília - A análise do mapa de votações da emenda da reeleição mostra que o PMDB foi o principal fator da derrota de João Paulo Cunha (PT-SP) e de um dos principais caciques da legenda, José Sarney (PMDB-AP). Apenas 15 dos 78 deputados da legenda votaram pela reeleição, que foi derrubada por 303 votos a favor (cinco a menos do que o necessário), 127 contra e 9 abstenções.
Peemedebistas ouvidos pela reportagem afirmaram que o resultado foi construído não só pelo poder de Renan Calheiros (AL), líder da bancada no Senado, mas pela atuação do secretário de Segurança Pública do Rio, Antonhy Garotinho (que é do partido), que fechou com Renan e ligou para peemedebistas e para deputados da bancada evangélica pedindo votos contra a reeleição.
Além disso, a posição majoritária do PMDB tem, entre outros, um recado claro: o de que o governo erra ao tomar Sarney como principal - e, às vezes, único - interlocutor da legenda. A tradução disso é que os deputados e senadores reclamam que os benefícios concedidos pelo Executivo a Sarney - cargos federais e emendas ao orçamento, em suma - não são uma forma de contentar o PMDB, ou seja, o presidente do Senado representa mais o seu grupo político, que inclui congressistas de outras legendas, do que o PMDB.
''Muitas coisas foram votadas ontem (quarta-feira), qualquer ressentimento se refletiu no voto. O João Paulo pagou por coisas que ele não era responsável'', afirmou o deputado José Múcio (PE), líder da bancada do PTB.
Discurso repetido exaustivamente ontem foi o de que João Paulo se precipitou ao colocar a emenda em votação com um quórum de 440 dos 513 deputados. ''Falei com o João Paulo que não deveria ser ontem (quarta-feira). Tinha seis deputados nossos que estavam viajando'', afirmou o presidente do PTB, Roberto Jefferson.
Entre as bancadas governistas com mais de 40 deputados, a do PT foi a que mais colaborou com a aprovação da emenda: 77 dos 90 deputados votaram sim (85,6%). O PTB deu 39 votos pró-reeleição, o que representa 75% da bancada. Índice semelhante atingiu o PP (75,9%). O PL ficou em 67,4%.
Os governistas com bancadas menores não ajudaram a pretensão de João Paulo e Sarney. O PC do B votou majoritariamente contra, 7 dos 9 deputados, o PSB deu apenas 10 dos seus 20 votos pela reeleição e o PPS contribuiu apenas com 10 dos 22 votos pela aprovação da emenda.
O pequeno PV, que tem como líder de bancada o filho de Sarney, deputado Sarney Filho (MA), deu todos os seus seis votos pela reeleição.
Na oposição, o PFL destoou dos demais e votou majoritariamente a favor da emenda, 77,8% de sua bancada. O apoio teve a influência decisiva da ala liderada pelo senador Antonio Carlos Magalhães (BA). No PSDB, foram 22 votos contra e 18 a favor. O PDT deu sete votos contra e apenas quatro a favor.


