PMDB desiste de coligação mas assedia PSDB nacional
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quarta-feira, 09 de agosto de 2006
Catarina Scortecci<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) não irá recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para reverter a decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Paraná, que anteontem determinou a saída do PSDB da coligação Paraná Forte, agora formada apenas pelo PMDB e PSC. A informação foi confirmada ontem pela assessoria jurídica do governador. O argumento é que a questão agora não é mais jurídica e sim política. A coligação encabeçada por Requião tinha como vice o tucano Hermas Brandão, presidente da Assembléia Legislativa.
O deputado estadual Nereu Moura (PMDB) disse que o tempo que levaria para resolver o imbróglio, caso o PMDB recorresse ao TSE, acabaria prejudicando a campanha do governador. ''Quem estava com o PMDB vai continuar e quem não estava também não vai estar agora. O processo não mudou'', afirmou Moura. O PMDB, porém, vai tentar até o último momento dialogar com o presidente do PSDB nacional, senador Tasso Jereissati, para tentar reverter a situação.
Ontem à noite, o senador Sérgio Guerra (PSDB) confirmou à Folha que havia marcado uma reunião com o PMDB, tanto com representantes da legenda nacional quanto estadual, mas que o encontro foi adiado para hoje em função da ''agenda corrida''. ''A única coisa que podemos afirmar é que sempre vamos conversar e ponto'', disse o senador, acrescentando que a opinião também é sustentada por Tasso Jereissati. O presidente do PSDB no Paraná, deputado estadual Valdir Rossoni, comentou que ''não há como voltar atrás'' e que não acredita que os caciques do partido mudem de idéia. ''A discussão está encerrada'', afirmou.
O ex-secretário estadual de Desenvolvimento Urbano Renato Adur (PMDB) informou que, caso o apelo ao PSDB não vingue, o governador se reuniria com correligionários para discutir a formação de uma chapa pura. Adur é um dos nomes cotados para preencher a vaga de vice na chapa de Requião, na opinião do deputado Nereu Moura. O ex-secretário comentou que a vaga de vice de fato o interessa, mas que a preferência é dada ao atual vice-governador, Orlando Pessuti. ''O meu nome está sendo cogitado mas é um momento delicado e eu sei que o Pessuti tem interesse em disputar as eleições'', comentou.
''Estamos avaliando a hipótese do Pessuti se lançar candidato ao Senado e o Renato Adur seria o vice na chapa. O governador também pensa em se licenciar para se dedicar exclusivamente à campanha política, e o Hermas Brandão assumiria o cargo'', adiantou o Moura. O chefe da Casa Civil do governo do Paraná, Rafael Iatauro, garantiu porém que o governador não irá pedir licença do cargo.
A decisão do TRE foi motivada por seis pedidos de impugnação da coligação assinados pela ala tucana contrária à união e que pretendia reforçar a decisão nacional do PSDB - que anulou a convenção no Estado na qual a coligação foi oficializada. O juiz relator do caso, João Pedro Gebran Neto, deu seu voto contra a coligação e foi acompanhado pelos juízes Renato Bettega e José Carlos Dalacqua.
Já os juízes Munir Abagge e Renato Andrade deram seu voto a favor da coligação, acompanhando o parecer do Ministério Público Eleitoral. A discussão foi encerrada após o quinto voto porque o desembargador José Antonio Vidal Coelho presidiu a sessão, na ausência do presidente do TRE Clotário Portugal Neto. O presidente da sessão só vota em caso de empate. Em sessões normais, as decisões da corte contam com 6 votos.


