PMDB desafia governo a votar emenda
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segunda-feira, 20 de janeiro de 1997
Agência Estado 
de Brasília
Arquivo FolhaAmeaçaPaes de Andrade: votar a emenda agora é uma provocação que pode desestabilizar os poderes republicanosO presidente do PMDB, deputado Paes de Andrade (CE), desafiou ontem o governo a colocar a emenda da reeleição em votação antes do dia 15 de fevereiro. A intenção dos líderes governistas é de votar a emenda em plenário nesta quarta-feira ou na próxima semana, no dia 29, dependendo do quórum. Para Paes de Andrade, além de ser temerária para os interessados, essa decisão é uma provocação ao PMDB, que pode desestabilizar os poderes republicanos.
O presidente do PMDB disse que os líderes que defendem a votação ainda no período da convocação extraordinária são vendedores de ilusão, que vão levar o governo para uma nova derrota. O deputado assegurou que a decisão do partido de adiar o exame da proposta é definitiva e inarredável. Paes de Andrade vai propor uma nova reunião das bancadas da Câmara e do Senado amanhã para reforçar essa posição.
Acredito que não interessa ao presidente Fernando Henrique Cardoso jogar o País num clima de intranquilidade política, afirmou o deputado. Paes justificou sua previsão dizendo que o presidente Fernando Henrique Cardoso também sabe que é isso que se pode esperar de um partido responsável pela maior base de sustentação ao governo que venha a ser quebrado e desrespeitado. O deputado disse que, no momento, o melhor seria que o presidente Fernando Henrique se preocupasse em consolidar a base de sustentação da governabilidade, para não repetir a trajetória trágica de outros presidentes.
Líderes que defendem
reeleição antes do
dia 15 são
vendedores de ilusão
Paes citou como exemplo o presidente Getúlio Vargas, em 1954, com a desdita do suicídio, Jânio Quadros em 1961, com a renúncia, a destituição de João Goulart e a cassação de Fernando Collor. O presidente do PMDB disse que deseja que o presidente termine o seu mandato sem as agonias dos que governaram em fases tumultuadas das instituições políticas. Ele (FHC) é um estadista e sabe que não deve fazer nada que não seja pelo fortalecimento da governabilidade, frisou.
Ele reafirmou que os líderes governistas estão enganados ao achar que podem ser bem-sucedidos desrespeitando a decisão da convenção do PMDB. O deputado comparou os líderes ao personagem Pangloss, do romance Cândido, de Voltaire, que via tudo com extremado otimismo, aconselhando-os a tirarem as lentes cor de rosa para não se enganarem novamente.


