de Brasília

Arquivo FolhaAmeaçaPaes de Andrade: ‘‘votar a emenda agora é uma provocação que pode desestabilizar os poderes republicanos’’O presidente do PMDB, deputado Paes de Andrade (CE), desafiou ontem o governo a colocar a emenda da reeleição em votação antes do dia 15 de fevereiro. A intenção dos líderes governistas é de votar a emenda em plenário nesta quarta-feira ou na próxima semana, no dia 29, dependendo do quórum. Para Paes de Andrade, além de ser ‘‘temerária’’ para os interessados, essa decisão é uma provocação ao PMDB, ‘‘que pode desestabilizar os poderes republicanos’’.
O presidente do PMDB disse que os líderes que defendem a votação ainda no período da convocação extraordinária ‘‘são vendedores de ilusão, que vão levar o governo para uma nova derrota’’. O deputado assegurou que a decisão do partido de adiar o exame da proposta é ‘‘definitiva e inarredável’’. Paes de Andrade vai propor uma nova reunião das bancadas da Câmara e do Senado amanhã para reforçar essa posição.
‘‘Acredito que não interessa ao presidente Fernando Henrique Cardoso jogar o País num clima de intranquilidade política’’, afirmou o deputado. Paes justificou sua previsão dizendo que o presidente Fernando Henrique Cardoso também sabe que é isso que se pode esperar de um partido ‘‘responsável pela maior base de sustentação ao governo que venha a ser quebrado e desrespeitado’’. O deputado disse que, no momento, o melhor seria que o presidente Fernando Henrique se preocupasse em consolidar a base de sustentação da governabilidade, para não repetir a trajetória trágica de outros presidentes.


Líderes que defendem
reeleição antes do
dia 15 ‘‘são
vendedores de ilusão’’

Paes citou como exemplo o presidente Getúlio Vargas, em 1954, ‘‘com a desdita do suicídio’’, Jânio Quadros em 1961, com a renúncia, a destituição de João Goulart e a cassação de Fernando Collor. O presidente do PMDB disse que deseja que o presidente termine o seu mandato sem as agonias dos que governaram em fases tumultuadas das instituições políticas. ‘‘Ele (FHC) é um estadista e sabe que não deve fazer nada que não seja pelo fortalecimento da governabilidade’’, frisou.
Ele reafirmou que os líderes governistas estão enganados ao achar que podem ser bem-sucedidos desrespeitando a decisão da convenção do PMDB. O deputado comparou os líderes ao personagem Pangloss, do romance Cândido, de Voltaire, que via tudo com extremado otimismo, aconselhando-os a ‘‘tirarem as lentes cor de rosa para não se enganarem novamente’’.

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