O presidente nacional do PMDB, deputado Paes de Andrade (CE), pretende definir hoje a data da convenção nacional que definirá se o partido terá ou não candidato próprio à sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso. A convenção - prevista para o final de março ou início de abril - colocará frente a frente o grupo de Paes, favorável a uma postura independente, e a ala governista do PMDB, que já analisa a hipótese de aproveitar a reunião para destituir o presidente do partido.
Três meses antes dessa batalha final pelo comando do PMDB, Paes de Andrade reagiu duramente à movimentação do grupo governista, que deve lançar o nome do atual líder do partido na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), para substituí-lo durante a convenção. ‘‘Esta é uma manobra para afastar previamente os candidatos do PMDB à Presidência da República’’, interpretou Paes, que disse ter recebido muitas mensagens de solidariedade no final de semana de integrantes do partido. ‘‘Caso me afastem do comando do PMDB, quem vai falar em candidatura própria?’’, questionou.
Entre as mensagens que recebeu, o presidente do PMDB destacou as enviadas pelos três candidatos potenciais do partido ao Palácio do Planalto: os ex-presidentes Itamar Franco e José Sarney e o senador Roberto Requião (PR). Em fax enviado ao presidente do PMDB no início da tarde, Itamar se diz ‘‘surpreendido’’ com a tentativa de destituição de Paes de Andrade e critica as articulações do grupo governista, que, na sua opinião, ‘‘atingem a ética que deve orientar a atuação dos homens públicos’’.

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