São Paulo - O governador de Minas Gerais, Itamar Franco ignorou, em seu discurso ontem, na convenção extraordinária do PMDB, a presença do ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann. Ambos são pré-candidatos à Presidência da República pelo partido, assim como o senador Pedro Simon (RS).
Itamar não citou o nome do ministro quando se referiu às três candidaturas. Ao falar sobre a convenção ‘‘oficial’’ do PMDB em junho, Itamar referiu-se a ele próprio, Simon e ‘‘o outro candidato’’. E ainda completou, dizendo que se não estiver mais no páreo, em junho, pelo menos Simon estará, sem sequer citar a existência de uma terceira pré-candidatura.
Em seu discurso na pré-convenção, Jungmann disse que quando apresentou sua pré-candidatura acreditava que poderia convencer ‘‘aqueles que estão do outro lado’’ - numa referência à ala do partido que prefere manter-se junto à base de sustentação do governo - da importância de uma candidatura própria, mas admitiu que não conseguiu alcançar esse objetivo.
‘‘Precisamos ter um candidato à presidência, porque se não tivermos e ficarmos olhando o balé do PSDB e do PFL, vai nos restar o partido dos fundos da política’’, declarou o ministro.
Jungmann tentou empolgar a platéia, formada basicamente por peemedebistas descontentes, que pregam a candidatura própria. Ele pregou a reconstrução da unidade do partido, parafraseando o ex-governador de São Paulo, Orestes Quércia, um dos principais líderes dos descontentes.
Tanto o discurso de Itamar quanto o do senador Pedro Simon foram recheados de críticas ao governo federal e à cúpula do PMDB. ‘‘Hoje o inimigo está dentro do PMDB’’, disse Simon.‘‘O líder do partido na Câmara, Gedel Vieira Lima (BA) e o líder no senado, Renan Calheiros (AL), negociam e fazem troca-troca com os candidatos do PSDB e do PFL’’, disse o senador gaúcho em referência ao ex-ministro da Saúde, José Serra, e à governadora do Maranhão, Roseana Sarney.
Ele ainda aproveitou para lançar farpas contra o presidente nacional do PMDB, Michel Temer. ‘‘O nosso presidente deve ter engordado uns quatro quilos, almoçando com os candidatos do PSDB e do PFL.’’
Quórum – A convenção extraordinária do PMDB conseguiu quórum para aprovar as regras para a prévia do próximo dia 17, que deverá escolher o candidato do partido à presidência da República.
Segundo Ayrton Sandoval, vice-presidente do diretório do partido em São Paulo e responsável pela contagem geral, na hora da votação havia o registro e presença de 250 delegados. Para que essa convenção tivesse validade, o partido precisava do quórum de 247 delegados, ou seja, metade mais um dos 492 delegados do partido.
Foi ratificada a data da prévia para o dia 17 e aprovada a redução do quórum de 50% para 20% para a votação na prévia. Isso significa que dos 16 mil votantes, entre eles delegados, senadores, deputados e vereadores, 20%, ou seja, 3.2 mil votantes, terão de estar presentes para aprovar o candidato próprio.

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