PMDB defende pacote com menor custo social
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quinta-feira, 05 de novembro de 1998
Doca de Oliveira Agência Estado 
O PMDB decidiu instalar uma comissão interna para discutir uma alternativa para o pacote de ajuste fiscal apresentado pelo governo na semana passada. O partido também vai distribuir sua bancada no Congresso para acompanhar a apreciação das medidas nas comissões do Legislativo, para encontrar sugestões com menor custo social. A expectativa é apresentar novas propostas na semana que vem. Na primeira reunião do seu diretório nacional após as eleições, na noite de terça-feira, o PMDB reafirmou o apoio a FHC tentou fortalecer a unidade entre suas diversas facções, costurada na convenção que elegeu como seu novo presidente o senador Jáder Barbalho (PA). O partido permanece na base de sustentação do governo, mas não garante incondicionalidade a administração federal.
A primeira amostra de independência o PMDB pretende dar na condução do ajuste fiscal. O partido está disposto a buscar soluções partindo das análises apresentadas pelo ex-presidente Itamar Franco, eleito governador de Minas Gerais, na reunião com o diretório nacional. O governador de Minas, não apenas pelo seu passado, tem que ser levado a sério, disse o presidente do partido. Nessa situação, o contraditório é fundamental e, se não houver alternativas, vamos dar um voto de confiança ao presidente Fernando Henrique, que acaba de se reeleger em primeiro turno, acrescentou. Segundo ele, é fundamental entender-se que a crise econômica não é um problema do governo, mas do País.
A reunião de terça-feira contou com a cúpula do partido. Estiveram na casa de Michel Temer oito dos 10 governadores e suas principais lideranças. Derrotados na disputa pela reeleição, os governadores Antônio Britto, do Rio Grande do Sul, e Paulo Afonso Vieira, de Santa Catarina, não vieram. O PMDB está unido em torno dos problemas do País, afirmou Barbalho. Mas a união em torno da crise não tem que significar unidade interna, acrescentou, liberando seus companheiros de partido a divergirem, desde que a posição da maioria seja respeitada. Nós vamos discutir, votar e deliberar. Assim é que se tomarão as decisões, avisou o senador.
O PMDB demonstrou que com sua unidade pode perfeitamente exercitar o direito e dever de aliado do presidente oferecendo-lhes propostas alternativas, disse o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha.


