PMDB defende juros mais baixos
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segunda-feira, 12 de setembro de 2005
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Representantes da cúpula do PMDB nacional reuniram-se ontem em Curitiba para iniciar as discussões sobre o programa de governo do partido para as eleições presidenciais do ano que vem. O objetivo da plenária, coordenanada pelo economista Carlos Lessa, é apresentar um contraponto à política econômica e social desenvolvida pelo governo federal do PT.
Participaram do encontro quatro governadores do PMDB: Roberto Requião (PR), Jarbas Vasconcellos (PE), Germano Rigotto (RS) e Rosinha Garotinho (RJ), além do ex-governador Orestes Quércia. Segundo Lessa, a intenção do partido é realizar plenárias em todos os Estados.
Uma minuta do programa de governo foi distribuída ontem no encontro. De acordo com Lessa, o projeto do PMDB para o país passa por uma ruptura com a política econômica praticada pelo PT, que segundo ele é a mesma desenvolvida desde o governo Fernando Collor.
''Não há como manter essa taxa de juros obscena, que é a maior praticada no mundo. Com esses juros, é muito melhor para o empresário investir no mercado financeiro do que voltar suas atividades para ampliar a produção e gerar empregos. A taxa de juro anual deveria ser de 3% ou 4%, e ainda assim estaríamos acima de alguns países emergentes'', ressaltou Lessa.
O economista destacou a necessidade do Banco Central regular os investimentos estrangeiros no país para possibilitar a queda de juros. ''A redução da taxa Selic pode ser praticada se o país controlar o 'capital cigano', ou 'capital de motel'. O governo Lula permite que o dinheiro estrangeiro seja retirado do país em 24 horas. Na Argentina, os investimentos devem permanecer pelo menos um ano no país, e nem por isso o risco-país dele ficou maior do que o nosso'', comparou Lessa.
Dividido no Congresso entre aliados e opositores ao governo Lula, o PMDB ainda não tem um candidato de consenso para as eleições do ano que vem. Vários nomes são cotados para disputar as prévias de fevereiro, incluindo o governador Roberto Requião.
Ontem, Requião negou-se a dizer se estava disposto a participar da disputa interna do partido, que tem outros nomes como Rigotto e Garotinho. ''Da minha parte, o esforço é concentrado em formular um projeto de desenvolvimento para o país junto com o PMDB. Sem um projeto, qualquer discussão sobre candidatura é secundária e inútil'', afirmou.


