PMDB decide hoje se terá candidato ao Planalto
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sexta-feira, 12 de maio de 2006
Cida Fontes<br> Agência Estado 
Brasília - O PMDB decide hoje em convenção nacional se vai lançar ou não candidato próprio à presidência da República. Os 528 convencionais do partido desembarcam no auditório Petrônio Portela, no Senado, a partir das 9 horas para uma jornada de debates. Mesmo se a grande maioria optar em deixar o PMDB livre nos Estados para eleger o máximo de governadores e uma bancada federal mais expressiva, uma estratégia que une as alas governista e de oposição ao Planalto, a briga interna não estará encerrada.
''Quem vai dar a decisão final será o Judiciário'', afirmou o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), deixando claro que a convenção não esgotará a polêmica da candidatura própria e que o partido continuará rachado. Na interpretação de Temer, para derrubar a candidatura própria será necessária a presença de, no mínimo, 352 convencionais. Isso representa dois terços do total de membros, o mesmo quorum que foi exigido em 2004 na convenção que aprovou a candidatura própria.
Em relação ao número de votos, a polêmica pode também parar na Justiça. Os aliados do pré-candidato ao Planalto, Anthony Garotinho, defende que é preciso ter dois terços dos 726 votos da convenção, ou seja 484 votos. Muitos convencionais têm mais de um voto. Temer, por exemplo, tem quatro. Já quem deseja derrubar a candidatura própria acha essa tese só pode cair com o apoio da maioria dos presentes.
Para se prevenir contra as iniciativas de Garotinho destinadas a impedir e anular a convenção de hoje, a cúpula do PMDB convocou uma reunião extraordinária da Executiva Nacional para ontem à noite na tentativa de definir as regras da votação. A idéia nasceu na véspera, durante jantar na casa do presidente da República em exercício, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que terminou mais de três horas da madrugada.
Mesmo considerando que tem votos suficientes para derrubar a candidatura própria, a maioria da cúpula teme que a discussão sobre a legalidade da convenção se arraste até junho, tumultuando ainda mais as composições eleitorais nos Estados. Aliados do governo, como o senador José Sarney (PMDB-AP), está confiante e acha que haverá maioria para isolar Garotinho. O deputado Eunício Oliveira (PMDB-CE) previu mais de 400 votos em favor da liberdade do PMDB de fazer as coligações mais convenientes no Estado.
''A perspectiva é que tenhamos uma ampla maioria em favor das alianças estaduais'', disse, também otimista, o senador Renan Calheiros. Mas o deputado Michel Temer foi seco. ''Eu não tenho prognóstico''. Ele previu, contudo, a presença maciça de convencionais, o que é importante para dar o quorum legal de dois terços. Para evitar tumultos e provocações dos aliados de Anthony Garotinho, seguranças do Senado vão barrar os ''penetras'' e o partido distribuirá senhas para o acesso de outros 100 convidados.


