Curitiba - O PMDB, aliado de peso do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marcou para o dia 12 de dezembro a convenção nacional, quando decide se fica ou se desembarca da base de apoio a Lula.
Hoje, o PMDB tem dois ministérios (Eunício Oliveira, das Comunicações, e Amir Lando, na Previdência Social), seis governadores, 76 deputados federais e 23 senadores. Apesar de espernear, os peemedebistas não estão 100% certos da possibilidade de abandonar a base aliada.
Ontem pela manhã, no Hotel Mercure, em Brasília, os caciques do PMDB se reuniram para discutir os rumos da legenda. O tema do encontro, convocado pelo presidente nacional, deputado Michel Temer (SP), foi ''Quantos somos e para onde vamos em 2006?''. A conversa durou cerca de três horas e envolveu os governadores, presidentes de diretórios estaduais e diversas lideranças do partido. Ficou acertado que os diretórios estaduais definirão posição até o dia 5 de dezembro, uma semana antes da convenção.
O rumo do PMDB depende de três correntes, que vão se enfrentar na convenção do mês que vem. Uma ala é governista de carteirinha. Outra defende a entrega dos cargos no governo mas a manutenção do apoio. E a terceira prefere a ''indepedência''. Dessa ala faz parte o governador Roberto Requião (PMDB), que saiu da reunião de ontem animado.
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), ficou isolado na defesa de Lula, com unhas e dentes. Sarney disse que o presidente não deveria ser julgado com tanta severidade.
Dentro do PMDB há diversas opiniões em relação à participação do partido na administração federal, assunto discutido à exaustão nos últimos dias. O senador Pedro Simon (RS), por exemplo, se preocupa com a governabilidade, mas defende que o partido não ocupe cargos no governo Lula. Já o líder do PMDB na Câmara, deputado José Borba, defende que o partido tenha posição de destaque no governo federal. Segundo Borba, o descontentamento se deve à não liberação de emendas da União a projetos de peemedebistas.
Michel Temer disse que a postura de independência não significa, necessariamente, que o partido fará oposição a Lula. Temer afirmou ainda que o PMDB deverá lançar candidato próprio à Presidência, em 2006. Os nomes de Sarney e do governador Germano Rigotto (RS) foram citados.
Na convenção deverá ser discutida também a possível mudança no nome do partido, que voltaria a se chamar MDB (Movimento Democrático Brasileiro). O PMDB surgiu do MDB, este último fundado em março de 1966, dois anos após o golpe militar.

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