PMDB decide apoiar Chinaglia para a presidência da Câmara
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quarta-feira, 10 de janeiro de 2007
Gabriela Guerreiro e Anderza Matais<br>Folhapress 
Brasília - A bancada de deputados do PMDB decidiu ontem apoiar a candidatura do petista Arlindo Chinaglia (SP) à presidência da Câmara. Ele recebeu 46 votos enquanto o adversário Aldo Rebelo (PC do B-SP) teve 11 votos. Outros cinco deputados votaram neutro, com o registro de uma abstenção. A reunião teve um presença de 57 deputados, sendo que seis votaram por procuração.O partido está com ele. Chinaglia teve mais da metade dos votos da bancada, que é integrada por 90 deputados, disse o deputado Geddel Vieira Lima (BA).
O PMDB tem a maior bancada da Câmara, seguido pelo PT, que lançou a candidatura de Chinaglia. O petista, no entanto, provavelmente não deverá ter o apoio de outra grande legenda da Casa, o PSDB. O deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) disse ontem que não há a menor hipótese de o seu partido apoiar Chinaglia. Não tem nenhum cabimento o PSDB apoiar o PT. Tenho consciência clara de que os dois [candidatos] são Lula, não há dúvidas sobre isso. Mas um é diferente do outro. Um [referindo-se a Chinaglia] é extremamente petista, quem vai tutelá-lo é o PT; o outro vai ser o presidente de todos os partidos, disse Hauly.
A decisão do PMDB de apoiar a candidatura do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) à presidência da Câmara teve como principal motivação a expectativa de poder. Interlocutores do partido disseram que pesou na decisão do partido a proposta do PT de fazer um revezamento com o partido no comando da Casa, o que, em tese, garantirá ao PMDB a presidência da Casa no biênio 2009-2010.
Dirigentes do PMDB não escondem que têm dúvidas se o PT irá cumprir o acordo daqui a dois anos, mas diante do atual cenário, o partido preferiu apostar. Daqui a dois anos a gente confere, disse o deputado Jader Barbalho (PMDB-PA).
Além disso, os dois ministeriáveis do PMDB - os deputados Eunício Oliveira (CE) e Geddel Vieira Lima (BA) - desistiram de entrar na disputa pelo comando da Câmara para não perderem a chance de indicação para uma vaga no primeiro escalão.
A reportagem apurou com peemedebistas que estiveram na reunião do partido -que definiu pelo apoio a Chinaglia - que o partido também decidiu se antecipar a uma possível indicação de voto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Agora, se Lula quiser que Chinaglia recue da candidatura, o preço que o PMDB apresentará para apoiar outro nome será mais alto. Segundo um peemedebista, se alguém tem que tirar o Chinaglia da disputa agora é o presidente Lula e não mais o PMDB.
Outra avaliação é que o presidente da Câmara, deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), que tenta a reeleição, demorou muito para anunciar sua candidatura. Na avaliação do PMDB, Aldo ficou aguardando ter seu nome lançado pelo presidente Lula, o que acabou não se concretizando, e enfraqueceu sua candidatura frente ao PMDB.


